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Tecnologia: três livros que exploram o futuro

Conheça as obras de alguns dos mais importantes autores da atualidade dedicados a estudar o impacto das novas tecnologias sobre a vida cotidiana e os negócios nas próximas décadas

A Inteligência Artificial (IA) está presente em uma infinidade de serviços e produtos e será o fator de desenvolvimento mais importante do século atual. A um ponto em que, dentro de duas décadas, muitos aspectos do cotidiano, em áreas como medicina, educação e entretenimento, serão irreconhecíveis. Para o bem e para o mal. Se, por um lado, a simbiose entre homem e máquina trará uma série de oportunidades, também acarretará maiores riscos à segurança e à privacidade.

Quem afirma é Kai Fu Lee, um dos maiores especialistas em IA do mundo e autor do livro recém lançado AI 2021. A obra de ficção científica, escrita a quatro mãos com Chen Qiufan, um dos principais autores do gênero da atualidade na China, especula sobre como a tecnologia vai transformar a vida das pessoas no dia a dia, em diferentes dimensões, ao redor do mundo. 

Nesse amplo processo de automatização em curso, acidentes eventualmente acontecerão, e é natural que seja assim, afirma Nick Bostrom, o filósofo sueco autor de Superinteligência. Alguns vão exigir aprimoramento das tecnologias envolvidas. Outros vão demandar maior supervisão humana para que os sistemas de IA rodem adequadamente e gerem mais ganhos que prejuízos. 

Uma coisa, porém, é certa, na avaliação de Bostrom, conhecido também por trabalhos sobre ética em aprimoramento humano, entre outras coisas. A invenção de inteligências de máquina capazes de substituir a mão de obra humana tende a reduzir brutalmente os custos de produção, até um limite em que ele será equivalente ao do custo de compra e manutenção das máquinas envolvidas.  

Por isso, além de investir em tecnologia, a sociedade precisará criar novos arranjos sociais, capazes de garantir a sobrevivência das pessoas até que se requalifiquem e encontrem novas ocupações, diz o especialista em inovação Alec Ross, em As indústrias do futuro.

A [EXP] reuniu aqui as ideias centrais das três obras citadas acima — além de links para os resumos de cada uma delas. Assim, você poderá começar o ano com subsídios extra para avaliar quais as ameaças e oportunidades que seu negócio terá pela frente.

1. AI 2041

Ideias centrais:

– AI será o grande definidor do desenvolvimento do século XXI. Em duas décadas, aspectos da vida humana diária estarão irreconhecíveis. E a inteligência artificial gerará riquezas sem precedentes, revolucionando a medicina e a educação por meio da simbiose homem-máquina e criando novas formas de comunicação e entretenimento.

– Entretanto, a AI também trará novos riscos na forma de armas autônomas e tecnologia inteligente que herda o preconceito humano, como deepfakes, riscos à segurança, invasão de privacidade, e perda de emprego.

– O momento atual é um divisor de águas para a AI e as pessoas precisam acordar tanto para os caminhos radiantes que essas tecnologias podem proporcionar quanto para seus perigos.

– Em 20 anos, veremos um deslocamento massivo da força de trabalho. A maneira como lidamos com o custo social e econômico da AI será uma questão essencial. Mas é possível nos afastar da distopia e ir na direção da utopia.

– Todos são autores da história da AI, já que as pessoas têm a chance de se reinventar. É possível explorar outros mundos e possibilidades com a AI, e inclusive resolver problemas globais, como a fome e a pobreza.

Sobre os autores:

Kai Fu Lee é o diretor-presidente da Sinovation Ventures e foi presidente da Google China, além de ter sido executivo sênior da Microsoft, SGI e da Apple. Também é autor do livro AI Superpowers, de acordo com o New York Times. Já esteve na lista da Time 100 e foi escolhido como um dos 25 ícones da Wired. 

Chen Qiufan, também conhecido como Stanley Chan, é um autor, tradutor e produtor de conteúdo e curador, ganhador de vários prêmios. Também ocupa o cargo de presidente da Associação Mundial de Ficção Científica da China. Alguns de seus livros de sucesso incluem Waste Tide (Maré de resíduos), Future Disease (Doença futura) e The Algorithms for Life (Os Algorítimos para a Vida). 

2. As indústrias do futuro

Ideias centrais:

– Há que investir em áreas de crescimento, como a robótica, mas também num enquadramento social que garanta que aqueles que perdem seu posto de trabalho conseguem manter-se à tona até que arranjem novas funções em outros setores.

– Há um lado negro da genômica: uma das principais apreensões é que, além de ajudar na luta contra o cancro e outras doenças, a genômica pode dar início a um processo de criar bebês sob medida, com sérios riscos para a ética.

– A bitcoin nasce de uma comunidade que não confia na ordem antiga. Procura estabelecer um sistema financeiro baseado na confiança mútua, sustentando-se em algoritmos e na encriptação.

– A cibersegurança tornou-se uma função tão essencial que todos os presidentes dos conselhos de administração das empresas Fortune 300 devem garantir que um dos administradores é um ciberespecialista.

– Muitos acreditam que, contrariamente à concentração em Silicon Valley, os big data servirão de ferramenta de ampla aplicação que todas as indústrias existentes podem utilizar em benefício de seu crescimento.

Sobre o autor:

Alec Ross é grande especialista em inovação. Durante quatro anos foi consultor sênior para Inovação na Secretaria de Estado, sob Hilary Clinton. Atualmente, é Distinguished Visiting Fellow da Universidade Johns Hopkins.

3. Superinteligência

Ideias centrais: 

– É possível que, em comparação a uma replicação força-bruta dos processos evolutivos naturais, grandes ganhos de eficiência possam ser alcançados, com a projeção de um processo de busca que tenha a inteligência como objetivo, usando várias melhorias óbvias em relação à seleção natural.

– Superinteligência de qualidade é um sistema que, no mínimo, é tão rápido quanto uma mente humana e qualitativamente muito mais inteligente.

– Os sistemas de inteligência artificial (AI, do inglês) se tornam gradualmente mais capazes e como consequência podem ser cada vez mais utilizados no mundo real (nos trens, carros, robôs etc.). Nessa ampla automatização, podem surgir acidentes ocasionais. Alguns pedem mais supervisão; outros, o desenvolvimento de sistemas melhores.

– Se  classificarmos uma AI como capital, então, com a invenção de uma inteligência de máquina que possa substituir integralmente a mão de obra humana, os salários se equivaleriam ao reduzido valor do custo das máquinas, bem menores que a renda necessária à subsistência humana. 

– A afirmação de que é preferível que uma superinteligência surja antes de outras tecnologias potencialmente perigosas, como a nanotecnologia, está baseada no fato de que uma superinteligência reduziria os riscos existenciais ligados à nanotecnologia, mas o contrário não ocorreria.

Sobre o autor: 

Nick Bostrom é um filósofo sueco, conhecido por seu trabalho sobre risco existencial, princípio antrópico, ética em aprimoramento humano, riscos de superinteligência. É professor da Filosofia&Oxford Martin School (Universidade de Oxford) e diretor do Instituto para o Futuro da Humanidade.

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