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Afiliativo, sim, mas sem perder o foco na performance

Experiência de gestora de Recursos Humanos com a Pesquisa de Liderança EXP/Woke deixa claro que estilo de comando mais humano não pode ser confundido com paternalismo



O estilo afiliativo, conhecido por prezar as relações e gerar sentimento de pertencimento na equipe, foi o mais identificado no primeiro diagnóstico da Pesquisa de Liderança EXP/Woke realizada pela peopletech de dezembro de 2021 a março de 2022, com 588 executivos em todo o Brasil, usando recortes por senioridade – gerência, diretoria, C-level, CEO –, e gênero para detectar os perfis, os comportamentos e as competências predominantes nos líderes das empresas brasileiras da atualidade. Com base os estudos de George Litwin e Richard Stringer, psicólogos de Harvard que usam as seis definições de Daniel Goleman, considerado “o pai da inteligência emocional”, a metodologia da pesquisa permite detectar a preponderância de cada um dos estilos no perfil das lideranças, o que possibilita ao profissional a busca pelo equilíbrio na utilização de cada um nas tomadas de decisões.

Saiba mais sobre o Mapa da Liderança no Brasil EXP/Woke

O ESTILO AFILIATIVO: PRIMEIRO AS PESSOAS, DEPOIS AS TAREFAS

Eu trabalho duro para criar um forte senso de pertencimento para toda a equipe.” 

Objetivo: Criar harmonia entre as pessoas.

Confira abaixo o resultado da pesquisa e o depoimento da gestora de RH, Nívia Belopede:

Ser ou estar, depende

“Não sei se sou ou estou com este perfil, mas certamente algumas características ficaram mais acentuadas por causa da pandemia”, comenta Nívia Belopede, head de Recursos Humanos da Reckitt Industrial no Brasil e Supply Chain na América Latina, multinacional norte-americana dona de marcas populares de higiene, saúde e nutrição. No cargo há três anos, atualmente ela lidera uma equipe de 23 pessoas. “Hoje eu vejo que fui forte para enfrentar uma situação impensável e manter o engajamento.”

A reflexão de Nívia, que tem mais de 20 anos de carreira, faz sentido e reflete a tendência de exercer uma liderança situacional, que envolve autoconhecimento e adaptabilidade para atuar não só do dia a dia, mas principalmente, num mundo em constante transformação.

Nívia não se surpreende com os três estilos mais predominantes no seu diagnóstico – afiliativo, democrático e coaching – privilegiarem relações mais próximas, harmoniosas e transparentes. “Para mim, os três estilos estão inter-relacionados, um tem a ver com o outro”, comenta. No entanto, ela discorda que o perfil afiliativo coloque em primeiro lugar as pessoas, depois as tarefas.

“Se a pessoa não entrega, não adianta conversa,” diz

Nívia Belopede, head de RH da Reckitt

A gestora acredita que as políticas da empresa também são importantes para facilitar a aplicação do estilo de liderança. “O papel do profissional influenciado pelo perfil afiliativo não pode ficar no discurso, você tem instrumentos para criar um ambiente mais empático e colaborativo na organização”, diz. “Eu meço a minha performance com entrega. E eu dependo da minha equipe para isso, portanto eu invisto na atenção, no cuidado, na relação com o outro, sem perder foco no negócio.”

Mas a head de RH confessa uma pitada de frustração com a pouca porcentagem de perfil visionário no seu teste. “Desenhei entrega para os próximos três anos, mas meu foco é o presente, não dá para pensar lá longe”, admite. Confira a seguir algumas reflexões geradas pela experiência de Nívia Belopede, head de RH da Reckitt, com a Pesquisa Perfil de Liderança EXP/Woke.

Conversando a gente se entende.

“Faz parte da minha rotina conversar com as pessoas, mas não é terapia: é saber o que está bom e o que não está”, afirma a gestora para quem o estilo afiliativo não pode ser confundido com paternalista. “Às vezes me acham brava, mas consigo ser direta, presente. As pessoas têm abertura para falar comigo, conversar, mas sabem que eu cobro, num time de alta performance não dá para ser mediano.”

Para Nívia, conversar, ter paciência para ouvir o outro e exercitar a empatia são importantes, também, nas relações profissionais para resolver conflitos. “Infelizmente, não existe uma metodologia para ensinar a conversar, por isso é importante criar um ambiente de comunicação fluida com diretrizes claras e muita transparência”, pondera. “Não quero ser pega de surpresa no caso de uma demissão.”

A head de RH reconhece que não é possível falar com todo mundo na base do one to one na rotina. Por isso detectar e contar com pessoas de perfil influenciador nas equipes é uma das estratégias que ajudam a praticar os estilos afiliativo, democrático e coaching. “Ninguém faz nada sozinho.”

Conhecer para engajar.

O desafio não é só dar abertura aos outros, ter as portas abertas para conversar, mas principalmente gerar a lealdade nos liderados. “Eu sou muito grata à minha equipe, faço questão de demonstrar, reconhecer, porque sem ela eu não entregaria”, diz a gestora, para quem o próprio engajamento é um balizador que impacta equipe, negócio e a própria carreira. “Na última pesquisa de engajamento, obtive o percentual mais alto da empresa.”

De acordo com Nívia é essencial ter conhecimento do motivador de cada pessoa para gerar e manter engajamento, e isso pode ser obtido com pesquisas internas, treinamentos, canais de comunicação, mas também com muita conversa. “Tudo com muita transparência”, pontua.

Precisamos falar mais sobre sentimentos.

Ela discorda que o foco da liderança afiliativa seja as necessidades emocionais dos colaboradores. “Mas é fato que as pessoas estão superatarefadas, estressadas, e não é exagero dizer que a maioria dos profissionais não está bem, não está dormindo bem”, afirma. Por isso é tão importante conhecer previamente os motivadores dos colaboradores, mas, também, dispor de instrumentos para atender a demandas pontuais que podem surgir em momentos de crise no dia a dia sob pressão.

De acordo com Nívia, a empresa inclui o cuidado entre os comportamentos desejados para as lideranças. “Quando falamos em care, não é só ajudar o outro numa tarefa, envolve mais gentileza no trato interpessoal, escuta ativa, empatia”, diz. Ela acredita que, de um modo geral, e até por uma cultura predominantemente ainda masculina nas corporações, as pessoas têm dificuldades de conversar, demonstrar suas vulnerabilidades e pedir ajuda. E conclui: “Temos de falar mais dos nossos sentimentos.”

Texto: Carla França

Imagens: Divulgação, Freepik.

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