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Os Quatro: Apple, Amazon, Facebook e Google

O autor Scott Galloway usa a metáfora do corpo humano para explicar as razões para o sucesso dos gigantes da tecnologia que estão dominando o mundo

Ideias centrais:

1 – A metáfora do corpo humano (cérebro, coração, órgãos sexuais) tem relação direta com o sucesso dos Quatro Cavaleiros. O Google se destina ao cérebro. A Amazon é ponte entre o cérebro e nosso instinto de caçador-coletor. O Facebook se dirige ao coração. A Apple não tem apelo sexual direto, mas seus produtos o tornam mais charmoso, sexualmente mais atraente.

2 – Para se transformar em empresa deveras grande e expressiva, você vai precisar de um produto capaz de saltar fronteiras geográficas e atrair as pessoas com escala global.

3 – A Alibaba, com sua escala gigantesca terá grandes dificuldades, se quiser ser um player global no mesmo patamar dos Quatro Cavaleiros. Terá de se expandir muito além de seu mercado local e ter presença comercial concreta nos EUA.

4 – Diante do gigantismo dos Quatro, cuide de si, da sua carreira. Conselho para os jovens: faça faculdade. Você pode até aprender alguma coisa. Mesmo sem aprender nada, o nome da faculdade será seu maior ativo até você desenvolver outros ativos, vai lhe abrir as portas.

5 – Os Quatro X capacidade de empregos. Inovadora de outrora, a Unilever tem uma capitalização de mercado de US$ 156 bilhões, com benefício para mais de 171 mil famílias. Compare isso com o Facebook, com capitalização de US$ 448 bilhões e apenas 17 mil funcionários.

Sobre o autor:

Scott Galloway é professor da Stern School of Business, da New York University, onde leciona estratégia de marca e marketing para formandos de MBA. Empreendedor serial, fundou nove empresas, entre elas a L2, a Red Envelope e a Prophet.

Prefácio (Ricardo Cavallini)

Existem duas maneiras de ler este livro. A primeira é olhar os quatro gigantes como casos de sucesso, que geram um valor por funcionário que empresas tradicionais nunca sonharam obter. Para esta leitura, Galloway aponta as similaridades desses quatro gigantes e o que, em sua visão, uma empresa deveria trabalhar para se tornar a quinta empresa desse grupo.

Mas a segunda, e talvez a mais importante, é compreender que não se trata apenas em se inspirar no sucesso, entendendo como elas se tornaram gigantes, mas como elas estão causando ruptura no presente e modelando o futuro dos negócios como nunca se viu antes.

Quando Facebook e Google acabam com a barreira do marketing e ao acesso a consumidores, isso abriu um universo de possibilidades para empresas de todos os portes e tamanhos. Essa é uma boa notícia, especialmente importante para um país como o Brasil, cuja economia é de cauda longa e mais da metade dos empregos formais vem de pequenas e médias empresas.

Mas a mudança traz um impacto muito maior do que criar novas oportunidades. Exemplos não faltam. Esquecendo a obviedade da indústria de celulares, a entrada da Apple nesse mercado trouxe consequências indiretas e drásticas para uma grande variedade de segmentos. Para dar alguns exemplos, mas não se limitando a eles: telecomunicação, jogos, jornais, computadores, música, táxis, fotografia e hotéis.

Capítulo 1 – Os Quatro

Amazon: todos curtem comprar um carro esporte modelo Panamera Turbo S da Porsche ou um par de sapatos Louboutin. Mas já não é tão divertido comprar creme dental e fraldas ecológicas. A Amazon, a varejista on-line preferida da maioria dos norte-americanos e, cada vez mais, do mundo, reduz a chateação de obter as coisas que precisamos para sobreviver. Tudo é feito com o mínimo de esforço: não é preciso caçar nem coletar e com (apenas) um clique suprimos todas nossas necessidades. A fórmula da Amazon se baseia em um investimento sem precedentes na infraestrutura de “última milha”, bancada por investidores tão generosos a ponto de ser irracionais. Esses investidores do setor varejista são seduzidos pela história mais simples e fascinante já contada no mundo dos negócios: A maior loja do planeta.

Apple: o logo da Apple, que enfeita os laptops e dispositivos móveis mais cobiçados do mundo, é o emblema global da riqueza, da cultura e dos valores ocidentais. Em sua essência, a Apple satisfaz duas das nossas necessidades instintivas: achar que estamos mais perto de Deus e ser mais atraente para o sexo oposto. A congregação da Apple inclui algumas das pessoas mais importantes do mundo: a classe da inovação. Ao atingir um objetivo paradoxal no mundo dos negócios (um produto de baixo custo vendido a preço premium, a Apple tornou-se a empresa mais rentável da história.

Facebook:  Se considerarmos as métricas da adoção e da utilização, o Facebook é o maior sucesso da história da humanidade. O planeta tem 7,5 bilhões de pessoas e 1,2 bilhão delas usam o Facebook diariamente. O Facebook (em 1º lugar), o Messenger do Facebook (em 2º lugar) e o Instagram (em 8º lugar) são os aplicativos móveis mais populares dos Estados Unidos. Um usuário típico passa 50 minutos por dia na rede social da empresa. As pessoas passam 1 minuto no Facebook a cada 6 minutos que passam na Internet e a cada 5 minutos na internet móvel.

Google: O Google é o deus do homem moderno. É a nossa fonte de conhecimento, sempre presente, conhecedor dos nossos segredos mais íntimos, sempre nos tranquilizando sobre onde estamos e para onde precisamos ir, respondendo a todas as nossas perguntas, desde as mais triviais até as mais profundas. Nenhuma instituição conta com a confiança e a credibilidade conquistadas pelo Google. Cerca de uma a cada seis perguntas feitas na ferramenta de busca é inédita (nunca ninguém fez a pergunta antes).

Os Quatro estão em uma corrida épica para se tornar o sistema operacional da nossa vida. E o prêmio é nada menos que um valor trilionário e mais poder e influência do que qualquer outra entidade da história

Capítulo 2 – Amazon

Muitos bons livros foram escritos, inclusive o impressionante A Loja de tudo, de Brad Stone, para contar a história de como um analista de fundos hedge chamado Jeff Bezos e sua esposa cruzaram o país de carro, de Nova York a Seattle, e bolaram o plano de negócios da Amazon na estrada. Muitos autores argumentam que os ativos essenciais da Amazon são sua enorme capacidade operacional, seus programadores ou sua marca. Eu, por minha vez, diria que as verdadeiras razões pelas quais a Amazon está conseguindo acabar com a concorrência (ao mesmo tempo em que se aproxima de uma valorização trilionária são outras. Como os outros Quatro, a ascensão da Amazon se baseia no apelo que a empresa faz a nossos instintos. O outro fator impulsionador do sucesso da empresa é uma história simples e clara que lhe possibilitou levantar, e gastar, um capital assombroso.

O varejo foi mais um produto de Jeff Bezos do que Jeff Bezos foi um produto do varejo. Em cada uma das eras precedentes do varejo, pessoas brilhantes se beneficiaram de uma mudança nos fatores demográficos ou nas preferências dos consumidores e criaram bilhões de dólares em valor. Mas Bezos viu uma mudança tecnológica e usou-a para reconstruir o mundo de varejo de cabo a rabo. O e-commerce jamais seria o que é hoje se Bezos não tivesse contribuído com sua visão e seu foco.

Para deixar os concorrentes para trás e reforçar o valor central da seleção, a Amazon lançou o Amazon Marketplace, deixando a terceiros a tarefa de preencher a cauda longa. Os vendedores ganharam acesso à maior plataforma e à base de clientes do e-commerce e a Amazon conseguiu expandir suas ofertas sem incorrer nas despesas de manter estoques adicionais. Hoje, a Amazon Marketplace responde por US$ 40 bilhões, ou 40%, das vendas da Amazon. Os vendedores satisfeitos com o gigantesco fluxo de clientes, não sentem necessidade alguma de investir em seus próprios canais de varejo.

Capítulo 3 – Apple

Os objetos em geral são considerados sagrados se forem usados para fins espirituais, como a adoração de deuses. Steve Jobs tornou-se o jesus da economia da inovação e sua reluzente façanha, o iPhone, tornou-se um símbolo de seu culto, posicionado acima de outros objetos ou tecnologias materiais.

Na primeira década do século 21, depois de Jobs voltar à Apple, a empresa embarcou no maior período de inovação de toda a história empresarial. Em dez anos, a Apple lançou, um após o outro, um novo produto ou serviço revolucionário criador de categorias e de 100 bilhões de dólares: iPod, iTunes, Apple Store, iPhone e iPad… nunca houve nada parecido.

Apesar de tudo o que Jobs fez pela Apple, ele também foi uma força destrutiva na empresa. Ele intimidava funcionários, não demonstrava muito interesse pela filantropia e na inclusão de minorias, e seus caprichos e sua megalomania mantinham a Apple à beira do caos. Sua morte pôs um fim ao período histórico de inovação da empresa, mas também permitiu que a Apple, sob o comando de Tim Cook, se voltasse à previsibilidade, rentabilidade e escala.

O Macintosh, lançado em 1984, apresentava ícones atraentes na área de trabalho e um visual personalizado voltado a agradar o coração. A Apple provou que um computador também podia ser amigável. O Macintosh falava (o computador ficou famoso por exibir a palavra “Olá” na tela ao ser ligado).

Capítulo 4 – Facebook  

Nosso planeta tem 1,4 bilhão de chineses, 1,3 bilhão de católicos e 17 milhões de pessoas vão à Disney World por ano. O Facebook, por sua vez, tem um relacionamento expressivo com nada menos que 2 bilhões de pessoas.

É bem verdade que o futebol tem 3,5 bilhões de fãs, mas esse belo jogo levou mais de 150 anos para conquistar apenas a metade do planeta. O Facebook e suas outras plataformas devem ultrapassar esse marco e antes de completar 29 anos. A empresa é proprietária de três das cinco plataformas que atingiram a marca dos 100 milhões de usuários com a maior rapidez da história: o Facebook, o WhatsApp e o Instagram.

Tempo de setenta e cinco anos e US$ 20 milhões em fundos de pesquisa [Grant Study, Harvard Medical School] para chegar à simples conclusão: “O amor leva à felicidade”. O amor é uma função da intimidade e da profundidade nos nossos relacionamentos e do número de interações que temos com as pessoas. O Facebook ao mesmo tempo explora nossa necessidade desses relacionamentos e nos ajuda a cultivá-los. Existe algo profundamente satisfatório em redescobrir um conhecido de 20 anos atrás e poder manter o contato com amigos, mesmo depois que eles se mudaram para outro lado do país.

Grande parte dessa inovação na rede sai de graça. O Facebook se beneficia da melhor manobra de ji-jítsu de todos os tempos: a empresa provavelmente se tornará a maior empresa de mídia do planeta e são os usuários que lhe fornecem o conteúdo (mais ou menos como acontece com o Google). Em outras palavras, mais de 1 bilhão de clientes trabalham para o Facebook sem gastar um tostão. Em comparação, as grandes empresas de entretenimento precisam gastar bilhões para criar um conteúdo original.

Capítulo 5 – Google

A Apple é considerada a empresa mais inovadora do mundo. A Amazon, a mais bem-conceituada (sabe-se lá o que isso quer dizer). O Facebook é considerado a melhor empresa para se trabalhar. Mas a confiança que depositamos no Google não tem igual.

O Google reforça sua posição divina mostrando claramente quais resultados da busca são orgânicos e quais são pagos. Isso aumenta nossa confiança nos resultados, aparentemente livre das forças do mercado. O que acontece é que as escrituras do Google, na forma de resultados de busca, representam para muitos um fluxo incomparável de veracidade. E o Google sai ganhando dos dois lados: a busca orgânica conserva a neutralidade, ao passo que o conteúdo pago lhe possibilita lucrar com os anúncios. E ninguém reclama.

Google X Washington Post. Vários anos se passaram até um CEO do setor de tecnologia assumir o comando de um jornal em dificuldades. Em 2013, Jeff Bezos comprou o WashingtonPost. A aquisição teve o efeito salutar de eliminar a angústia trimestral, quando o jornal revelava resultados em queda livre aos investidores, logo seguidos da inevitável sangria na redação. Mais do que proporcionar um lastro financeiro, Bezos direcionou o Post com tudo para a internet. O tráfego on-line do jornal duplicou em apenas três anos, ultrapassando rapidamente o Times.

O Google não é a Microsoft… ainda. A empresa de busca ainda se vangloria de ter os melhores talentos da história. Os funcionários do Google não só sabem que são melhores que os outros… como de fato são melhores que os outros. Todo mundo sabe que a empresa espera que os funcionários dediquem 10% de seu tempo para ter novas ideias. E os 60 mil gênios que trabalham no Google são transformados em verdadeira fábrica de ideias interessantes.

Capitulo 6 – Me engana que eu gosto

Os pioneiros do setor não raro acabam com flechas nas costas, enquanto os Cavaleiros que chegam depois (o Facebook depois do Myspace, a Apple depois dos primeiros fabricantes de PC, o Google depois das primeiras ferramentas de busca, a Amazon depois dos primeiros varejistas on-line), alimentam-se da carcaça de seus antecessores, aprendendo com os erros, comprando os ativos e conquistando seus clientes. Os pecados dos Cavaleiros se enquadram em um dos dois tipos de trapaça:

Trapaça nº 1: Roubar e proteger. As grandes empresas muitas vezes dependem de algum tipo de mentira ou de roubo de propriedade intelectual para acumular valor a uma velocidade e escala inimagináveis, e os Quatro não são diferentes. A maioria dos cavaleiros promoveu algum tipo de mentira para enganar outras empresas, ou o governo, e as induziu a disponibilizar algum subsídio ou transferência de valor que ao final acaba inclinando dramaticamente o equilíbrio de poder para o lado deles. (Acompanhe a luta da Tesla nos próximos anos por subsídios do governo para fabricar automóveis movidos a energia solar e elétrica). Quando se transformam em cavaleiros, contudo, eles de repente ficam indignados com esse tipo de comportamento e fazem de tudo para proteger seus ganhos.

Trapaça nº 2: Não estamos roubando, só pegando emprestado. A segunda forma de trapaça é muito usada pelos Quatro: “emprestar” as informações dos usuários depois para vendê-las de volta a eles. O Google é um bom exemplo disso.

O Google foi criado com base em insigths matemáticos sobre a estrutura da web e a natureza das buscas, mas se tornou um cavaleiro com base no insight dos fundadores (e de Eric Schmidt) de que as informações podem ser distribuídas gratuitamente com uma mão e se tornarem muito lucrativas com a outra.

Tanto o Facebook como o Google declararam, no início da década, que não compartilhariam informações entre os silos das empresas (do Facebook ao Instagram, do Google ao Gmail ao YouTube e ao DoubleClick). No entanto, os dois cavaleiros mentiram e alteraram sorrateiramente suas políticas de privacidade, demandando uma solicitação específica de não aderência se você não quiser que eles façam referência cruzada de suas atividades com sua localização e suas buscas. Nada indica que essas empresas tenham qualquer outra intenção a não ser usar os dados para fazer uma segmentação de marketing melhor.

Capítulo 7 – A metáfora do corpo humano nos negócios

Do ponto de vista da psicologia evolutiva, todas as empresas de sucesso apelam a uma das três regiões do corpo: o cérebro, o coração ou os órgãos sexuais. Todas elas se voltam a algum aspecto da sobrevivência. Para qualquer líder corporativo, saber qual domínio se voltar (ou seja, qual órgão satisfazer) deve orientar sua estratégia de negócios e os resultados de sua empresa.

  • Massa cinzenta. O cérebro é um órgão calculista e racional. Para fazer o que tem de ser feito, ele pondera custos e benefícios, calculando em milésimos de segundo. Quando estamos fazendo compras, o cérebro compara os preços e pisa nos freios com uma enorme velocidade.

Poucas empresas se voltam ao cérebro dos clientes, criam um apelo para o nosso lado racional e conseguem sair vitoriosas. Um bom exemplo é o Walmart. Milhões de consumidores avaliam suas opções e decidem fazer suas compras em suas lojas. “Mais por menos” foi um bom tempo uma excelente proposição de valor.

  • O grande coração. O coração representa um vasto mercado. Afinal, a maioria de nossas ações, incluindo nossas compras, baseia-se nas emoções. É mais fácil, e mais divertido, que recorrer à previsível análise de custo-benefício do cérebro corta-prazeres, cuja resposta para “Será que eu devo comprar isto?” costuma ser “Não”. O coração é movido pela maior força da história: o amor.
  • Zona erógena. Com a crescente dificuldade de apelar ao coração, as marcas que se dirigem aos órgãos sexuais avançam de vento em popa. Esses órgãos orientam nosso desejo e nosso insaciável instinto de procriação. Depois da sobrevivência, nada nos motiva mais que sexo.

A metáfora do corpo (cérebro, coração e órgãos sexuais) tem uma relação direta com o extraordinário sucesso dos Quatro Cavaleiros. Vejamos o exemplo do Google. O Google se direciona ao cérebro e o complementa, expandindo sua memória praticamente até o infinito.

Se o Google representa o cérebro, a Amazon é uma ponte entre o cérebro e o nosso instinto de caçador-coletor, configurado para adquirir mais coisas. O Facebook, por sua vez, dirige-se ao nosso coração. Ele é o tecido que une o mundo: uma combinação de nossos dados comportamentais e de receitas publicitárias que consegue falar mais alto que um gigante como o Google.

O marketing e a promoção da Apple nunca tiveram um apelo sexual. A mensagem não é que ter um produto da Apple nos tornará mais atraentes para o sexo oposto (ou o mesmo sexo). Mas (o que é comum nas melhores marcas de luxo) a mensagem é que os produtos farão você melhor que seus concorrentes sexuais: mais elegante, mais inteligente, mais rico e mais empolgante.

Capítulo 8 – O algoritmo T

Os Quatro têm oito fatores em comum: diferenciação do produto, “capital visionário”, alcance global, carisma, integração vertical, inteligência artificial, aceleração de carreiras e vantagem geográfica. Esses fatores compõem uma espécie de algoritmo, regras que definem o que é preciso para se tornar uma empresa de trilhões de dólares. No nosso trabalho na L2, usamos o termo “Algoritmo T” para ajudar as empresas a alocar melhor seu capital.

Vejamos detalhes de alguns fatores:

Alcance global. Um fator do Algoritmo T é a capacidade de se globalizar. Para se transformar em uma empresa verdadeiramente grande e expressiva, você vai precisar de um produto capaz de saltar fronteiras geográficas e atrair as pessoas em uma escala global. Não é só o mercado maior, mas a diversidade (especialmente a possibilidade de explorar mercados anticíclicos capazes de sobreviver a crises regionais) que os investidores querem e, se você lhes der isso, eles o recompensarão com um capital mais barato.

Inteligência artificial. Outro fator do Algoritmo T é o acesso da empresa aos dados e a facilidade no processamento de dados. Uma empresa de trilhões de dólares precisa ter uma tecnologia capaz de aprender com os dados inseridos por seres humanos e registrá-los algoritmicamente (verdadeiros Himalaias de dados que podem ser processados por algoritmos para melhorar as ofertas).

Vantagem geográfica. A localização geográfica faz uma grande diferença. São raras as empresas (ou nenhuma) que agregaram dezenas de bilhões de dólares na última década que não ficam a poucos quilômetros de alguma excelente universidade técnica ou de engenharia de primeira linha. A RIM e a Nokia foram o orgulho de seus respectivos países e se localizavam nas proximidades das melhores faculdades do país. Três dos Quatro Cavaleiros (a Apple, o Facebook e o Google) têm excelentes relacionamentos com uma universidade de Engenharia de primeira linha: a Stanford, a UC Berkeley. A Amazon tem ligações com a University of Washington. De alta qualidade.

Capítulo 9 – O Quinto Cavaleiro

Podemos aplicar nosso checklist de características dos cavaleiros a uma série de empresas em alta que têm o potencial de se tornar o quinto gigante da tecnologia, que não necessariamente viria de um setor claramente digital.

Alibaba – Em abril de 2016, uma empresa de e-commerce superou o Walmart e se tornou o maior varejista do mundo. Era apenas uma questão de tempo, e não foi a Amazon que destronou o gigante de Bentonville, mas sim a potência chinesa de Jack Ma, a Alibaba. Justiça seja feita, isso em parte aconteceu em função do modelo de negócio da Alibaba, que atua como um espaço de mercado para outros varejistas (e-commerce e compras on-line, leilões on-line, transferências de dinheiro, serviço de nuvem).

A Alibaba, com sua escala gigantesca, enfrentará dificuldades consideráveis se tiver ambições de ser um player global da era digital no mesmo patamar que os Quatro Cavaleiros. Por definição, a empresa terá de se expandir muito além de seu mercado local e ter presença comercial concreta nos EUA.

Tesla – A história está repleta de esqueletos de empreendedores que ousaram desafiar os gigantes da indústria automobilística (e que até ganharam filmes, como Tucker, um homem e um sonho, de Francis Ford Coppola). Mas por enquanto tudo indica que um filme sobre Elon Musk envolveria um guarda-roupa elegante e Gwynet Paltrow a seu lado. A Tesla enfrenta suas dificuldades, mas conseguiu ir mais longe que qualquer outra startup da indústria automobilística nessa geração e parece bem posicionada para liderar o mercado de carros elétricos.

Microsoft – A Microsoft não é mais a “besta de Redmond”, a empresa que dominou completamente a era dos PCs. Mas o Windows é o sistema operacional de 90% dos desktops do mundo. O Office continua sendo o pacote de programas de produtividade mais popular do mundo e produtos, como o SQL Server e o Visual Studio, são praticamente onipresentes.  O LinkedIn também tem uma posição competitiva invejável.

Capítulo 10 – Os Quatro e você

Em média, as pessoas inteligentes que trabalham muito e tratam os outros bem têm mais sucesso que as pessoas com um raciocínio confuso, preguiçosas ou que são desagradáveis com os colegas.

Nada é mais importante que a maturidade emocional, especialmente para os jovens dos 20 anos, quando essa qualidade pode variar muito. São cada vez mais raros os campos de atuação nos quais uma pessoa responde a um único chefe e trabalha com um grupo específico de tarefas que não mudam muito, nem com frequência. Em comparação, o trabalhador da era digital vai ter de responder a vários stakeholders e desempenhar diferentes funções no decorrer de um dia, num ambiente que favorece a maturidade. Os jovens que tiverem uma identidade desenvolvida, souberem manter o controle em condições de estresse e forem capazes de aprender e aplicar o que aprenderem terão mais sucesso que os colegas que perdem o controle com facilidade.

Faça faculdade. Se você quiser ser um sucesso na era digital, nada fala mais alto que um diploma de uma universidade de prestígio. E faz diferença você se formar com honras. Faça faculdade… você pode até aprender alguma coisa. Porém, mesmo se não aprender nada, o nome de uma faculdade gravado em sua testa será seu maior ativo até você desenvolver seus próprios ativos, e vai lhe abrir muitas portas. Todos nós precisamos de mecanismos de seleção e regras simples para fazer nossas escolhas e é muito fácil pensar “Yale = inteligente; Universidade do Lugar Nenhum = não tão inteligente”.

Capítulo 11 – O mundo depois dos Cavaleiros

Juntos, os Cavaleiros empregam cerca de 418 mil pessoas (a população de Minneapolis). Se somarmos as ações vendidas ao público dos Quatro Cavaleiros, seu valor chega a US$ 2,3 trilhões. Isso significa que nossa versão 2.0 da cidade de Minneapolis, às margens do Mississipi, contém quase a mesma riqueza que o produto interno bruto da França, uma nação desenvolvida com 67 milhões de cidadãos. Essa cidade abastada prosperará, enquanto o resto vai ter que se virar para conseguir investimentos, oportunidades e empregos

Esse ajuste de contas já está acontecendo, neste exato momento. Essa distorção é criada pelo avanço constante da tecnologia digital, pelo domínio dos Quatro e pela crença de que os “inovadores” merecem uma vida exponencialmente melhor que os meros mortais.

Os heróis e os inovadores de outrora geraram, e ainda geram, empregos para centenas de milhares de pessoas. A Unilever tem uma capitalização de mercado de US$ 156 bilhões, distribuída entre mais de 171 mil famílias de classe média. A Intel tem uma capitalização de mercado de US$ 165 bilhões e emprega 107 mil pessoas. Compare isso com o Facebook, que tem uma capitalização de US$ 448 bilhões e apenas 17 mil funcionários.

Pode ser fútil, ou simplesmente errado, lutar contra ou rotular essas incríveis empresas de “mal-intencionadas” ou “perversas”. Não sei dizer. Mas estou certo de que entender o funcionamento dos Quatro nos dá uma ideia melhor da nossa era digital e ficamos mais capazes de garantir a segurança financeira para nós e para nossa família. Espero que este livro o ajude a fazer isso.

Ficha técnica:

Título: Os Quatro – Apple, Amazon, Facebook e Google – O segredo dos gigantes da tecnologia

Título original: The Four

Autor: Scott Galloway

Primeira edição: Alta Books

Resenha:

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