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O trabalho híbrido e outras lições que vieram para ficar

Trabalho híbrido - Ricardo Basaglia - EXP

Por Ricardo Basaglia*

A maioria dos funcionários já adotou sua casa como novo escritório e essas mudanças não terminam com a redução de infecções pelo coronavírus.

A crise sanitária causada pela covid-19 alterou profundamente a dinâmica de trabalho em todo o mundo. As pessoas trocaram deslocamento, almoço com os colegas e o cafezinho por videoconferências, comunicação assíncrona e uma experiência de trabalho remoto.

Essas mudanças não vão embora com o arrefecimento da pandemia e impõem uma série de desafios. Lideranças precisam engajar equipes, rever seus conhecimentos sobre gestão e continuar a promover a integração e a diversidade entre os colaboradores.

Uma das primeiras medidas no ambiente corporativo é alinhar objetivos e expectativas com as equipes em relação aos modelos de trabalho, seja ele remoto, híbrido ou presencial.

Em um estudo recente conduzido pelo PageGroup em parceria com a PwC, foi identificado que 67% dos profissionais no Brasil preferem um regime integral de home office ou um modelo híbrido com uma ou duas idas ao escritório na semana. No alto escalão, esse índice está em 58%.

A pesquisa ainda revela que 35% das mulheres dizem ser mais produtivas no home office, em comparação com 27% dos homens, assim como 64% dos jovens da geração Z, aqueles nascidos já no fim dos anos 1990, preferem o trabalho totalmente remoto, contra 20% dos baby boomers.

Aí está o desafio: se teremos mulheres e jovens em casa, quem fica no escritório? Apenas homens mais velhos? Como é que os gestores vão transmitir a cultura da empresa e garantir a presença da diversidade de idade, gênero e visões nas equipes?

Um recado para os gestores: a resposta não está no oito ou oitenta. Empresas que buscam a solução no 100% de presencial ou de home office terão grandes problemas para engajar os colaboradores e garantir bons resultados. A solução passa por alinhamento de expectativas, maior proximidade do gestor com seu time e mais empatia e sensibilidade com os colaboradores.

Uma mensagem que procuro passar em todas as conversas, reuniões, cafés e demais espaços é de que precisamos aprender a aprender de novo. Nunca tivemos tantos desafios em tão pouco tempo como aqueles decorrentes da pandemia. Tivemos de nos reinventar, fazer coisas novas e mudar hábitos e processos do dia para a noite. Essa adaptação ao novo é uma característica que precisamos manter e continuarmos abertos a novas experiências em nossa carreira.

Outro dado curioso do estudo diz que 61% das lideranças afirmam que têm sentido dificuldades de alinhar os interesses da equipe. Não é má-fé, não é falta de disposição: é uma imprevisibilidade constante, como foi o início da pandemia. Adaptar a gestão, o contato com as pessoas e até mesmo a forma de comunicar projetos, prazos e feedbacks é essencial para os níveis de liderança.

Mas imagine alguém que já tem experiência, que já superou uma série de desafios para chegar a este posto. Essa pessoa já tem uma caixinha de ferramentas prontas e vai precisar mudar não um, mas vários desses dispositivos e formas de tomar decisão.

A Unesco utiliza uma metodologia chamada future literacy desde 2012, que foi citada no Fórum Econômico Mundial em 2021. E o que significa? É ter a habilidade de alfabetizar sobre futuros. É poder construir cenários junto com os colaboradores, ajudando a projetar resultados, metodologias e melhores formas de trabalhar em meio a um mundo cada vez mais imprevisível.

Construir esses futuros também passa por avaliar os modelos de trabalho da empresa. Vamos fazer home office total? Vamos adotar dias mínimos para o híbrido, um ou dois dias na semana? E deixar livre apenas para que seja um local de convivência, de trabalhar junto com outras pessoas quando o colaborador quiser? Sabemos que isto vai depender muito do tipo de trabalho, teremos de olhar quais atividades podem ser feitas remotamente e quais precisam de atividades presenciais.

Não dá para assumir que todos os negócios vão funcionar em um mesmo modelo e da mesma maneira. Seguimos buscando essas respostas, porque a única certeza é de que a experiência do trabalho vai continuar mudando rapidamente.

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