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Na Levva, a transformação digital é movida pela cultura

Da esquerda pra direita, André Tirich, Narsa Cardoso, Cadu Biaseto, Jessé Freitas e André Milanez

Como estimular a interação entre os colaboradores e fortalecer a cultura da empresa em meio a uma pandemia que assombrou o mundo e virou os negócios do avesso? Essa questão tirou o sono de muitas companhias nos últimos tempos – e ainda tira, pois o choque cultural provocado por dois anos de Covid-19 ainda é sentido no mercado de trabalho. Na Levva, empresa brasileira de transformação digital, o caminho foi botar todo mundo pra jogar online.

Desde então, o número de colaboradores saltou de 47 em 2020 para mais de 200 hoje e o faturamento pulou de R$ 16 milhões, em 2021, para uma projeção de R$ 50 milhões neste ano. Utilizando o design para cocriar soluções de tecnologias capazes de suportar a transformação digital dos clientes, a Levva desenvolve plataformas de comércio eletrônico, sistemas, aplicativos, games, projetos de user experience, Machine Learning e Internet das Coisas, entre outros serviços. Na carteira de clientes estão companhias como Ambev, Grendene, Azul, CCR, EMS, Unilever, Weg e Ticket, entre outras.

Mas como isso tomou forma? Sentindo que era necessário criar maneiras dos funcionários se comunicarem de forma descontraída e se conhecerem melhor, mesmo a distância, aliviando o peso daqueles dias difíceis e solitários, a Levva teve a ideia de criar um campeonato de e-Sports entre os colaboradores. Numa definição simples, e-Sport é uma competição de jogos eletrônicos em que as pessoas disputam partidas, sejam presenciais ou online, e espectadores acompanham ao vivo. No caso específico da Levva, a competição foi totalmente online, transmitida ao vivo via streaming e com os espectadores (os funcionários) acompanhando pela internet. E narradores profissionais contratados deram o clima de Copa do Mundo aos jogos.

Foi assim que nasceu o RIVVALS, competição de jogos online criada pela Levva que acontece a cada dois meses e mobiliza toda a empresa, dos colaboradores gamers (e também os sócios) que entram na disputa aos colegas que acompanham como torcedores, como no futebol, apoiando este ou aquele time. As equipes são compostas por membros de diferentes áreas da companhia, o que favorece a integração entre as pessoas para além do jogo.

Empresa de gamers

A opção pelo e-Sport como um instrumento de cultura organizacional foi natural, pois, numa empresa de tecnologia, o gosto pelos games é algo compartilhado por grande parte dos funcionários. “Somos uma empresa composta por gamers, a gente sempre jogou muito”, afirma André Milanez, CEO da Levva, em entrevista ao Experience Club.

Assim, diz ele, o RIVVALS funciona como um elemento para criar uma conexão afetiva, um instrumento para disseminar a cultura e os valores da Levva, como respeito, diversidade, colaboração e inclusão. “O RIVVALS está 100% conectado com a nossa cultura”. O cuidado com a cultura organizacional foi algo estratégico num momento em que o trabalho remoto ou híbrido se tornava uma realidade no mercado e a Levva começava a crescer de modo acelerado.

Desenvolvendo soft skills

Os jogos eletrônicos também servem a outro objetivo da área de Gente & Cultura da empresa: desenvolver aspectos comportamentais importantes. “No mercado de tecnologia, a gente já entendeu que o desenvolvimento da parte técnica é possível fazer com qualquer pessoa. E o RIVVALS conecta isso, traz a questão das soft skills, de trabalhar em equipe, de se desenvolver pessoalmente. Saber jogar, mudar a direção do jogo em equipe”, diz André.

A criação de uma liga própria de s-Sports foi levada tão a sério que envolveu investimento de mais R$ 500 mil, valor distribuído, por exemplo, entre a contratação de empresa de streaming para viabilizar as transmissões e narradores e comentaristas profissionais. “Mas a nossa cultura, a cultura que criamos com o RIVVALS, vale muito mais que meio milhão de reais”, afirma.

Atração e retenção de talentos

Trabalhar a cultura organizacional de um jeito inovador foi uma solução não só para dar conta dos desafios impostos pela pandemia, como o isolamento social e a necessidade de cuidar da saúde mental das equipes. Foi também uma estratégia para atrair e reter talentos num mercado aquecido – o de tecnologia – e que convive com o fantasma do apagão de mão de obra. É aquela história: as pessoas querem fazer parte de empresas legais, com bom clima e onde se sintam felizes, trabalhando de forma remota (o que acontece na maioria das vezes) ou não.

“Durante o ano temos vários encontros presenciais em que reunimos os colaboradores de uma forma estratégica, mas entendendo que eles também estão super confortáveis trabalhando em casa, entregando os projetos”, diz. “A gente tem algumas ações internas, como a reunião mensal, quando temos música ao vivo, damos muita risada e temos boas conversas. Dessa forma, a gente também traz um pouco mais de leveza paras as equipes que estão envolvidas nos projetos com clientes”, afirma.

André fala sobre a mudança da marca da empresa:

Nova fase, nova marca

Leveza, aliás, é o conceito que norteou o trabalho de rebranding da companhia. A empresa, que se chamava HDN, adotou o nome Levva em julho deste ano. Desenvolvido em parceria com a Consultoria Grou, o projeto busca reforçar o posicionamento de uma marca ligada, sonhadora, simples e humana. E leve. “Sabendo que temos vários projetos complexos e em diversos clientes, queríamos destacar essa visão de leveza, de simplicidade, conceitos que embasam nosso jeito de ser”, diz André.

Segundo ele, a ideia de tornar a tecnologia e os processos digitais coisas simples para os clientes acompanha a empresa desde quando foi fundada em 2018. Além dele, o negócio conta com mais quatro sócios, Jessé Freitas, Narsa Cardoso, André Tirich e Cadu Biaseto. Mas faltava uma marca que refletisse esses valores de modo mais destacado, especialmente num momento em que a companhia cresce rapidamente e entra numa nova fase. “O nome Levva também abre mais oportunidades no plano global, além de se conectar com as ações de saúde mental que executamos na empresa”.

Por falar em mercado global, André e os sócios querem levar a companhia mais longe nos próximos anos, conquistando mais negócios internacionais. O foco da estratégia continuará a ser o Brasil, mas, aos poucos, por que não ampliar a atuação fora do país? Ela já mantém clientes em regiões como Austrália, Estados Unidos e Europa. “Buscamos ter um posicionamento global”, diz. Nos próximos anos, a empresa pretende dar os primeiros passos numa operação física fora do Brasil, gerando mais oportunidades para a empresa e para os colaboradores.

André Milanez fala sobre os planos da Levva para o futuro:

O ecossistema Levva

O salto nos negócios registrado durante a pandemia se deve, em grande parte, ao fato de a Levva ter sabido aproveitar a alta demanda por soluções de transformação digital, oferecendo serviços de tecnologia de ponta a ponta. E como parte dessa estratégia, a empresa foi ao mercado e adquiriu, em julho deste ano, a consultoria de comércio eletrônico Advice.

A negociação foi motivada pela avaliação de que a digitalização do varejo ampliou o leque de serviços do e-commerce, aumentando a importância estratégica dos dados para esse setor. “A Advice traz a inteligência de dados para dentro da Levva”, diz André.

As movimentações para aproveitar a aceleração digital do mercado, com ênfase na valorização das pessoas e da cultura organizacional, demonstram que a Levva procura avançar sem se desconectar do espírito que norteou seus primeiros passos. E nessa jornada, a tecnologia é meio, não fim. “A Levva nasceu com o conceito de simplicidade na tecnologia. Nossa entrega é uma entrega de transformação digital, de criar times que usam a tecnologia e o design como ferramentas de transformação de vidas, negócios e pessoas”, afirma o CEO.

Texto: Clayton Melo

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