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Healthtech Alice inicia estratégia de atuação no B2B

Gestora de saúde, que tem o ex-presidente da 99 Matheus Moraes entre os fundadores, é apontada como a startup mais promissora do setor após receber rodada de investimentos no valor de US$ 127 milhões, a maior já registrada por uma healthtech na América Latina 

Fundada em junho de 2020, por um trio de empreendedores com experiência prévia em startups ou no mercado de saúde – André Florence, ex-CFO da Unicórnio 99; Guilherme Azevedo, um dos fundadores do Dr. Consulta; e Matheus Moraes, ex-presidente da 99 – , a gestora de saúde Alice se tornou, em cerca de um ano e meio, uma das mais promissoras healthtechs do mercado brasileiro. Após o aporte Série C de US$ 127 milhões, liderado pelo Softbank, em dezembro de 2021, a startup já soma US$ 174,8 milhões em investimentos e, agora, se prepara para entrar no mercado corporativo. 

Com foco de atuação em São Paulo e sem previsão de expansão para fora da capital no médio prazo, a Alice aposta no modelo de atenção primária, apoiado em equipes formadas não apenas por médicos e enfermeiros, mas também por preparadores físicos e nutricionistas. A ideia é trabalhar na prevenção de doenças e, com isso, reduzir a necessidade de elevados gastos com tratamentos médicos. 

A empresa também trabalha com telemedicina e com sistemas integrados de informações, que permitem a redução de custos com exames feitos em duplicidade. Segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar) e do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), 40% dos exames e 18% das idas ao pronto-socorro são desnecessários e poderiam ser evitados com coordenação de cuidado e atenção primária. Estudos da Alice estimam que, caso o modelo fosse adotado em larga escala, o valor da economia para o setor poderia chegar a US$ 8,7 bilhões. 

O modelo de saúde baseado em dados – do inglês valued-based healthcare (VBHC) – da Alice já atende 8 mil membros com uma equipe de 650 colaboradores, que trabalham nos 24 estados brasileiros e em sete países. “Como o atendimento pelo aplicativo é 24X7, tenho colaboradores do Time de Saúde — a equipe de atenção primária — que trabalham no fuso horário da Austrália ou da Itália para atender nossos membros nos horários da madrugada no Brasil”, diz Matheus Moraes, em entrevista a EXP

A startup iniciou um piloto em saúde empresarial após a aquisição da Cuidas, no final de 2021, e pretende ampliar a atuação no segmento B2B.  

Confira a seguir outros detalhes da atuação da healthtech, que tem entre os acionistas Maya Capital, Canary, Kaszek, além dos fundos que entraram na rodada da Série C, em dezembro. 

Gestora de saúde 

“Nosso objetivo ao fundar a Alice foi fazer com que as pessoas se tornassem mais saudáveis. Para isso, entendemos que precisávamos atuar de forma sistêmica e completa”.  

“Hoje, quando você olha para o sistema de saúde no Brasil, é tudo desconectado: o hospital não se comunica com o laboratório, que não se comunica com o profissional de saúde, nem com o próprio paciente”.  

“Nosso ecossistema olha a saúde integral de seus membros, de ponta a ponta. Não somos uma operadora digital. Vamos muito além. Nos posicionamos como uma gestora de saúde.” 

O nome Alice 

“Queríamos personalizar o atendimento e humanizar essa proximidade da empresa com os membros e todos os parceiros. Nada melhor do que usar o nome de uma pessoa como o nome da empresa.” 

Integração sistêmica 

“Para entregar saúde temos que ter as pessoas no centro do processo e oferecer uma experiência digital impecável. Esse é um dos nossos pilares estratégicos”.  

“O atendimento primário, que aqui chamamos de Time de Saúde, é feito por profissionais que atendem nossos membros 24X7, via aplicativo.”  

“No atendimento secundário trabalhamos com parceiros: hospitais, laboratórios, especialistas, médicos. O diferencial é que cada parceiro deve estar integrado ao nosso sistema. Quando um membro da Alice passa por qualquer um destes profissionais eles conseguem acessar todo seu histórico médico, os exames, internações, procedimentos realizados”.  

“Promovemos uma verticalização digital, integrando com tecnologia toda a cadeia de atendimento.” 

Atenção Primária 

“Entendemos que quem promove saúde é a atenção primária e ela é muito pouco usada hoje no Brasil. Note que usei o termo ‘promoção de saúde’, ou seja, eu cuido da pessoa quando ela está bem para que ela melhore ainda mais. O foco é na prevenção de doenças e na promoção da saúde. Países como Inglaterra, Noruega e Canadá hoje já adotam essa prática e priorizam a atenção primária com esse objetivo.” 

Integração de dados 

“Investimos muito em tecnologia e em integração com nossos parceiros. A integração tecnológica, clínica e operacional entre parceiros, hospitais e laboratórios é um de nossos pilares estratégicos”.  

“Tudo isso foi construído totalmente alinhado com a LGPD. Essa integração é algo que o mercado de saúde tenta fazer há pelo menos uma década e só está sendo possível porque começamos do zero. Mas exige muito esforço e investimento nosso. É algo desafiador.” 

“Após unificar o acesso à informação, conseguiremos trabalhar com inteligência de dados para prever, prevenir e tornar o setor mais eficiente.” 

“Hoje, olhando o histórico da minha população, já consigo ajudar a melhorar a saúde mental, os obesos a reduzir o peso e ganhar qualidade de vida. Só consigo fazer isso porque tenho acesso aos dados de saúde deles.” 

Casa Alice 

“Usamos a tecnologia para acelerar e agilizar o atendimento primário. Porém, para a realização de alguns procedimentos e para estreitar o vínculo com o Time de Saúde, a experiência física ainda é necessária. Por isso criamos a Casa Alice, um ambiente que não lembra em nada os hospitais. São espaços com muita área externa e natureza. São locais que lembram saúde, não doença”.  

“Hoje, temos duas Casas Alice, uma em Moema e outra em Pinheiros. Abriremos outras unidades à medida que novos membros se associarem: a localização será definida de acordo com a demanda.” 

Público-alvo 

“Temos produtos que variam de R$ 570 a R$ 1.400 [valores para adultos com 30 anos]. Nossa meta de médio a longo prazo é ter produtos para todos os públicos, independente da condição econômica. As operadoras de saúde, no geral, não têm produtos para pessoa física. Nós oferecemos planos a partir de R$ 1.200 que dão direito ao Hospital Albert Einstein.” 

Produto para PJ 

“Com a aquisição da startup Cuidas, em novembro do ano passado, passamos a oferecer a Alice para empresas”.  

“Estamos rodando um piloto corporativo: o foco continua sendo nos indivíduos que estão na empresa, mas ampliamos a relação com as equipes de RH e finanças na gestão do produto.” 

Foco em SP 

“Acreditamos que para conseguir dar certo em saúde é preciso ser muito profundo. Não adianta ter um produto mediano em São Paulo, no Rio e em outras cidades”.  

‘No médio prazo, vamos nos manter na cidade de São Paulo. Não pretendemos expandir para outros locais. Até porque, esse é um mercado gigantesco e queremos poder atender muito bem as pessoas que estão aqui antes de pensar em expansão.” 

“Para quem viaja ao Brasil, temos uma solução de urgência e emergência nacional, que é um seguro que cobre despesas médicas até R$ 250 mil.” 

Regular no Reclame aqui

“Criamos uma gestora de saúde, que hoje conta com mais de 8 mil membros. Desde o início da nossa operação, em junho de 2020, recebemos 37 reclamações no Reclame Aqui”.

“Sempre trabalhamos duro e levamos todo feedback a sério. Isso pode ser percebido não só pela nossa taxa de resposta de 100%, mas também pelos quase 70% de avaliadores que tiveram seus problemas solucionados nos últimos seis meses”.

“Apesar de entendermos que o volume de reclamações é baixo, não estamos satisfeitos com a nossa nota de 6,5 para o período, considerada ‘regular’.”

“Sabemos que inovar envolve riscos. Como um modelo novo no mercado – principalmente com nosso produto individual, que era praticamente inexistente no Brasil –, ainda temos muitas oportunidades de aprendizado. O feedback dos nossos membros é essencial para entendermos e melhorarmos o nosso produto e comunicação”.

“Apesar disso, acreditamos estar no caminho certo: hoje, o CSat (índice de satisfação do cliente, na sigla em inglês) do Time de Saúde está em torno de 4,9, de 5, e o NPS (Net Promoter Score) geral da Alice é em torno de 85, muito acima da média do mercado, que é de 47 pontos”.

Visão de futuro “O que vai acontecer nos próximos 10 a 20 anos é uma transformação total e completa de como as pessoas cuidam da própria saúde”.  

“O que vai acontecer nos próximos 10 a 20 anos é uma transformação total e completa de como as pessoas cuidam da própria saúde”.  

“Hoje o costume é tratar da doença, fazendo consultas com especialistas, indo aos hospitais. Essa mentalidade vai mudar, temos que ser uma sociedade preocupada em viver melhor. As pessoas vão começar a entender que cuidar e promover saúde é muito melhor do que remediar. A tecnologia irá ampliar o acesso à saúde, gerar eficiência e abundância.” 

“Esse não é um mercado para um player só, aparecerão outros, mas espero que possamos ajudar a catalisar esse processo de mudança na sociedade brasileira.” 

“A Alice quer ser, nos próximos dez anos, a maior e melhor operadora de saúde do Brasil. 

Foto: divulgação

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