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“A grande oportunidade do Brasil é a área de infraestrutura”

Wilson Ferreira Júnior, CEO da Vibra Energia e futuro CEO da Eletrobras falou em entrevista durante o CEO Brunch, no Experience Club Nordeste, sobre as oportunidades para o Brasil em energia limpa e as perspectivas de investimentos.

Prestes a assumir a direção da Eletrobras, maior empresa de energia da América Latina, o engenheiro elétrico Wilson Ferreira Júnior, CEO da Vibra Energia (ex-BR Distribuidora), conversou com o jornalista Roberto D’Ávila sobre a expectativa para comandar a maior empresa de geração e distribuição de energia da América Latina, sustentabilidade no setor elétrico e os desafios do país para voltar a crescer.

Wilson Ferreira Júnior participou do CEO Brunch Experience Club Nordeste, realizado no Recife, com o tema A construção dos próximos 20 anos do Brasil. O evento teve a presença de cerca de 180 empresários, associados do Experience Club e convidados.

Com mais de 40 anos no ramo energético, Wilson Ferreira, CEO da Vibra Energia (ex- BR Distribuidora), aceitou o desafio de voltar ao comando da Eletrobrás em uma nova fase da empresa, agora privatizada. Na sua primeira gestão, entre 2016 e 2021, ele deixou como legado uma contribuição importante para que a empresa se tornasse a maior geradora e distribuidora de energia latinoamericana.

Agora, quer tornar a companhia uma das maiores do mundo em energia renovável e defende que as empresas se engajem na melhoria da sua pegada ambiental. “Todos nós deveríamos inventariar os nossos negócios para verificar o quanto a gente emite de gases poluentes e buscar formas de reduzir essa emissão”, afirmou.

Wilson também vê muitas oportunidades na área de infraestrutura. “O mundo está cheio de liquidez e não tem onde aplicar”, disse no CEO Brunch.

Acompanhe os principais pontos da entrevista:

Você fala muito sobre a importância da mudança de postura das empresas diante da emergência climática em que estamos. No seu currículo já há uma experiência positiva na Vibra Energia. A Eletrobras deve ser o grande catalisador dessa mudança no Brasil?

É hora de pensar na energia do futuro e a Eletrobras pode ser uma das maiores empresas de energia renovável do mundo. Hoje, não existe nenhuma empresa no país que possa crescer como ela. Nós temos um potencial de energia eólica que ninguém tem. Os parques eólicos brasileiros serão os mais eficientes do mundo no futuro e os solares também terão participação importante nesse processo.

É notório que temos um potencial gigantesco nessas áreas e vamos investir em tecnologia para explorá-las ainda mais, pois serão as mais demandadas daqui para frente. A Eletrobras é uma empresa que vai ser sempre brasileira, dos brasileiros e um dos principais vetores dessa guinada rumo à descarbonização.

Como será feita essa transição do público para o privado?

Ela é uma corporation, ou seja, não existe a figura do dono, o que não a torna menos eficiente. A primeira coisa a ser feita é fortalecer o conselho de administração e perceber quais são as possibilidades para valorizar as ações. Só assim poderemos atrair mais investidores e torná-la mais eficiente e, consequentemente, mais competitiva.

O setor elétrico está preparado para esses investimentos?

Quando a gente fala do marco legal do setor elétrico, falamos de um documento da década de 1990. Se você for olhar, de lá para cá acontecem leilões todos os anos que atraem investidores do mundo inteiro, com movimentação na ordem de R$ 30 a R$ 40 milhões por ano. Então há espaço para fazer mais, sobretudo agora que a Eletrobras será mais competitiva.

Você defende muito o ESG. Como você enxerga a importância da governança atrelada à responsabilidade social?

Na governança, a primeira obrigação é ser exemplar. Veja a questão do armazenamento das vacinas contra a Covid-19. Assim que chegaram as primeiras doses no Brasil, não tínhamos refrigeradores suficientes que pudessem comportá-las em baixíssimas temperaturas. De pronto, o empresariado se moveu para que essa logística fosse possível.

Essa questão social serve para facilitar as ações das empresas, que precisam de uma proximidade com o seu público. Consciência social gera emprego e renda.

O Brasil é um país injusto. Como as empresas podem agir para melhorar o bem-estar social?

A gente precisa investir em educação, acreditar mais nisso se quisermos ser menos injustos no futuro. Passa também por ser menos egoísta e poder, de alguma maneira, empreender com menos riscos para contribuir para uma sociedade melhor. Não tem caminho fácil, mas temos que escolher o mais sustentável, tanto do ponto de vista econômico, como social.

O grande problema é que nós não fomos preparados para isso. Mas hoje temos jovens mais preparados para enfrentar esses desafios que estão postos, como a emergência climática, problemas sociais, entre tantos outros.

A Amazônia preservada pode se tornar uma fonte de lucro em um mundo mais sustentável?

Precisamos nos articular. Sociedade, academia e empresários precisam estar juntos em um esforço coletivo para encontrar soluções para pôr fim ao desmatamento.

A segunda coisa é olhar a Amazônia como um celeiro de oportunidades. Se está degradado, o melhor é reflorestar. Por exemplo, usar espaços para produzir biocombustíveis.

Outra questão é fazer com que as empresas também assumam o seu papel de responsabilidade ambiental. Todos nós deveríamos inventariar os nossos negócios para verificar o quanto a gente emite de gases poluentes e buscar formas de reduzir essa emissão.  

Falando de economia, o Brasil está voltando a crescer, mesmo que lentamente. Como você enxerga o país a partir do ano que vem?

Para mim, a grande oportunidade do país é a área de infraestrutura. O mundo está cheio de liquidez e não tem onde aplicar. Hoje temos vários marcos legais que viabilizam a entrada de capital estrangeiro no país. Quando você investe em infraestrutura, você investe em oportunidade. Acho que se a gente aproveitar esse momento, vamos conseguir baixar a inflação e ainda sair dessa situação até muito antes que outros países. Essa é a nossa principal oportunidade.

Falando agora de eleição, temos Lula ou Bolsonaro em 2023. Como você vê as privatizações no próximo governo?

Eu, particularmente, sou simpatizante do projeto de governo do Bolsonaro.

Neste momento, o Lula tem demonstrado ser contra as privatizações, o que é um problema, pois temos exemplos positivos desse processo. Veja São Paulo, por exemplo, que se tornou um estado mais eficiente por causa das desestatizações. Essa é a prerrogativa para atrair investidores estrangeiros, se não ele não investe.

Você acha que a Petrobras é uma empresa muito estratégica para ser privatizada?

Eu acho que tudo que o governo tiver capacidade de regular e fiscalizar pode ser privatizado. Acho muito difícil a Petrobras ser passada à iniciativa privada no curto prazo. Mas se você puder fazer e utilizar esses recursos para trazer mais eficiência, melhor. Porque você vai gerar uma competição que trará mais benefícios ao consumidor.

Você acha que com a Eletrobras investindo mais, o custo da energia para o consumidor vai baixar?

A Eletrobras é o maior player do setor. Se você tem uma empresa desse tamanho que pode investir em grande escala, certamente vai perceber uma redução no preço da energia. Sem falar no aumento da confiabilidade e da qualidade do serviço oferecido. Certamente o consumidor será beneficiado muito em breve com a redução tarifária.

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