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Finplace prepara captação de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões

Rodada será a primeira da startup brasileira, que se define como o “iFood do crédito para pequenas e médias empresas” e intermedia atualmente cerca de R$ 180 milhões mensais em sua plataforma  

A Finplace, fintech de crédito voltada a pequenas e médias empresas, está se preparando para captar entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões em uma rodada pré-Serie A. De acordo com Felipe Avelar e Patrícia Rechtman, respectivamente CEO e CMO da empresa, este será o primeiro investimento recebido pela startup, que começou a operar em abril de 2020 e, até aqui, foi bancada pelos sócios — além de Avelar e Patrícia, há outros três, todos egressos do Credit Brasil (Grupo CB).  

De acordo com Avelar, o mais provável é que a captação aconteça até março. Ele afirma que há vários interessados, mas a preocupação é com o alinhamento entre a visão dos sócios e a dos investidores. “Não queremos alguém que pretenda mudar nosso propósito e aumentar as receitas cobrando taxas dos tomadores de crédito, algo que não fazemos hoje”, afirma Avelar. 

O modelo de negócio da Finplace é baseado na cobrança de uma taxa por transação, mas de quem empresta, não de quem recebe o dinheiro. O valor pode variar de R$ 20 a pouco mais de R$ 500, dependendo dos volumes negociados. Os juros são definidos por quem empresta e, na média, costumam variar de 1,2%, no caso de recebíveis, a 1,8%, para crédito sem garantias, afirma Avelar.  

Atualmente, segundo Patrícia, a empresa intermedia operações de crédito entre cerca de 300 instituições financiadoras — pequenos e médios bancos, FIDCs, empresas de factorings e securitizadoras –, e mais de 2,5 mil micro, pequenas e médias empresas. O número de clientes tomadores de crédito aumenta ao ritmo de 40 por semana, diz. Na outra ponta, porém, ao menos por ora, a ideia é manter o número de instituições financiadoras como está, afirma. 

Excesso de liquidez 

O que a fintech quer agora é melhorar o “engajamento”. Na prática isso significa ensinar quem já está na plataforma a usá-la melhor. Principalmente do lado de quem empresta, diz. “Esse mercado de financiadores é bem old school, não está acostumado a operar no digital”, afirma Avelar. 

Um dos empecilhos é o momento econômico atual. Segundo Avelar, há segmentos que estão aquecidos, como os de medicamentos, embalagens e alimentos. Mas, fora desse universo, a maioria das pequenas e médias empresas, que são o público-alvo da fintech, estão enfrentando dificuldades. A demanda está fraca e existe o receio de tomar dinheiro para investir, afirma.  

Outro desafio, diante do número elevado de usuários da plataforma, é alinhar os perfis de quem pega e de quem fornece o crédito, como nos aplicativos de paquera, compara. O que a Finplace tem feito para tentar superar o problema é limitar a seis, em duas rodadas de três, o número de empresas apresentadas para cada instituição financiadora. “Quando não ‘dá match’, a gente chama a instituição financiadora para entender por que e afinar o algoritmo de indicação”, diz Patrícia. 

Hoje, segundo Avelar, a Finplace tem excesso de liquidez. Dos mais de R$ 4 bilhões em créditos ofertados, R$ 1,3 bilhão já foram contratados, em cerca de 12 mil transações. Mas o percentual de empresas clientes que opera com recorrência ainda é considerado baixo, cerca de 20% (ou 500, de 2,5 mil). “Esperamos crescer este ano para pelo menos 4,5 mil clientes e elevar o engajamento para 80%”, afirma. 

Entre as ações para tirar os planos do papel está a expansão da equipe comercial, dedicada a atender e ajudar os clientes. A empresa conta hoje com 45 pessoas e deve dobrar esse número, até agosto. “É um trabalho braçal, de ligar, de entender o que o cliente busca para ajustar o algoritmo”, diz Avelar. 

A ampliação do quadro de empregados será o principal destino do dinheiro a ser captado na rodada de estreia da fintech, e deve desequilibrar o balanço, ao menos momentaneamente, diz Avelar. No ano passado, segundo Patrícia, a empresa cresceu 314% em faturamento e, hoje, se aproxima do ponto de equilíbrio, com a intermediação de R$ 180 milhões mensais em empréstimos e potencial para faturar R$ 10 milhões por ano. Mas as despesas, no curto prazo, devem crescer mais rápido que a receita, para que a startup possa escalar mais rápido.

Diversidade 

Segundo Patrícia, as novas vagas abertas na Finplace 0serão preenchidas com a apoio da TransEmpregos, agência especializada na recolocação profissional de pessoas transgêneras. A meta interna, afirma, é ter ao menos 40% dos postos preenchidos por pessoas de diferentes minorias – negros, PCDs, LGBTQIA+. “Vamos dar preferência a esses perfis”, diz. 

Texto: Dubes Sônego

Foto: divulgação

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