Categories

Most Viewed

Disney transforma funcionárias em programadoras

Rei Leão, o tão aguardado blockbuster da temporada, promete render mais uma vez bilhões de dólares para a Disney, trazendo como diferencial o formato live-action, que confere ainda mais realismo aos personagens. Com a mesma fórmula de sucesso da companhia quase centenária, criatividade, tecnologia e inovação caminham juntas na animação. Além de artistas, Rei Leão exigiu um verdadeiro exército de especialistas em novas tecnologias e programadores. Em um universo tão lúdico e criativo, que exige diversidade e sensibilidade, por que há tão poucas mulheres trabalhando com programação?

Pois a Disney está tratando de mudar essa realidade. “Você está prestes a aprender o que significa ser uma engenheira de software. Você está prestes a aprender muito sobre essa empresa e como a tecnologia é usada para fazer mágica. Mas eu acho que o mais importante é que você vai aprender muito sobre você mesma.” Com esta frase, Nikki Katz, VP de tecnologia da Disney, abriu a aula inaugural do CÓDIGO: Rosie, 2.0, um projeto que oferece às mulheres da empresa a oportunidade de mudar de carreira, por meio da programação. 

Não é preciso ter experiência prévia em tecnologia para se candidatar a uma vaga. No entanto, as interessadas passam por uma espécie de pré-treinamento online de até 60 horas que incluem os conceitos básicos de ciência da computação e linguagens de programação, com o intuito de nivelar as candidatas. O programa em si tem duração total de 15 meses, sendo três deles de treinamento, e um ano de aprendizado composto por dois blocos de seis meses em equipes diferentes dentro da empresa. Ao final, elas terão a oportunidade de conseguir um emprego em um dos grupos técnicos da Disney.

Para Leilenah Mamea, uma das 12 participantes da turma de 2016, “a codificação é a linguagem do mundo moderno porque tudo está centrado na tecnologia”. Ela trabalhou anteriormente em finanças e agora escreve código para sites como Disney.com e StarWars.com. 

Quando a Disney abriu a turma 2018 para mulheres de toda a companhia, o número de aspirantes a Rosies, como são chamadas as participantes do programa, disparou.

Das 169 que começaram o processo de candidatura, 112 delas chegaram até o fim.

Dessas, 20 foram selecionadas e os perfis foram os mais variados tanto dos aspectos racial, étnico, quanto em termos de idade, estabilidade na empresa, posições e divisões – de parques temáticos à ESPN. 

Para uma empresa com 200 mil funcionários, a abrangência do programa é muito limitada, mas Katz afirma que se trata do começo de uma mudança de mindset da corporação.

“Eu me vi tendo a mesma conversa repetidas vezes com uma variedade de mulheres que, por uma razão ou outra, apesar de serem apaixonadas por tecnologia, simplesmente nunca tiveram a oportunidade de buscar essa p
aixão profissionalmente e queriam descobrir como invadir o espaço”.

Além de contratar para o treinamento técnico do programa uma empresa especializada em incentivar a diversidade nas organizações por meio da educação, Katz teve o cuidado de obter o apoio antecipado dos profissionais de tecnologia a Disney. Essas figuras são conhecidas como “Rosie Buddy” e são responsáveis por responder às perguntas do dia-a-dia e fornecer orientação contínua.

Mais Rosies  

O nome do programa da Disney faz referência a Rosie the Riveter, um ícone cultural, que foi criado para representar as mulheres que trabalhavam em fábricas e estaleiros durante a Segunda Guerra Mundial e tinha como lema “We can do it!”. O logotipo do CÓDIGO Rosie retrata a personagem Minnie Mouse na pose que foi eternizada. Em particular, o programa presta homenagem às “Rosies” que programaram o pioneiro computador ENIAC do Exército dos EUA na década de 1940.

Nos últimos anos, grupos como Code Like a Girl, Girls Who Code e Black Girls Code têm trabalhado para que as jovens se interessem cedo pela programação, na expectativa de colocá-las no caminho da ciência da computação.

São esforços no sentido de diminuir o desequilíbrio de gênero no campo da tecnologia. “O mercado de trabalho em tecnologia é predominantemente masculino devido a décadas de estereótipos que afirmavam que esse ambiente não era para as mulheres”, diz Regina Acher, cofundadora da Laboratoria no Brasil. 

A organização social, que tem sua origem no Peru, oferece um curso de seis meses em programação para mulheres que tenham estudado em escolas públicas ou em escolas particulares com bolsa. Nos últimos quatro anos, a Laboratoria já capacitou mais de mil mulheres em toda a América Latina. “Após o término do curso, nosso desafio é ajudar as mulheres a encontrarem trabalhos em grandes empresas e, por isso, fazemos muitas parcerias. Mais de 95% das alunas formadas no Brasil estão trabalhando com tecnologia”, afirma Acher. 

Até o final de julho, a organização estima formar cerca de 120 mulheres em São Paulo. Ainda neste semestre, serão abertas novas vagas, basta ficar de olho nas redes sociais da Laboratoria. “Muitas de nossas alunas conquistam independência financeira logo após o curso. Queremos que mais mulheres saibam que é possível ter uma carreira em tecnologia mesmo sem nunca ter trabalhado na área”. 

Texto: Luana Dalmolin

Imagens: Reprodução e Divulgação

    Leave Your Comment

    Your email address will not be published.*

    Header Ad