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“O ESG trouxe um novo tipo de ativismo, menos emocional”

Renato Gaparetto

Renato Gasparetto, vice-presidente de relações institucionais e sustentabilidade da Vivo, avalia movimento como uma evolução rumo a um capitalismo que privilegie todas as partes envolvidas e resultados de longo prazo   

A Vivo começou a trabalhar com a temática da sustentabilidade ainda no início dos anos 2000. Antes que as métricas ESG viessem à tona, o que aconteceu somente nos últimos anos – e vem ganhando intensidade -, a operadora já publicava relatórios auditados de sustentabilidade e, a partir de 2015, ano do Acordo de Paris, também suas metas ambientais.

Naquele momento, o atual acrônimo sequer existia. Vigorava, à época, o triple bottom line, cujo objetivo era amarrar as dimensões social, econômica e ambiental à sustentabilidade. 

“A partir do fim dos anos 90, sustentabilidade virou um tema bacana para empresas que estavam buscando uma certa modernidade. Foi quando surgiu o tripé. O ESG uniu tudo isso”, afirma Renato Gasparetto, vice-presidente de relações institucionais e sustentabilidade da Vivo, nesta entrevista ao Experience Club.  

Com mais de 33 mil colaboradores, cerca de 1700 lojas espalhadas pelo país e 96 milhões de clientes, a companhia integra alguns dos principais índices de sustentabilidade do mundo e, segundo o executivo, aposta no seu tamanho e no engajamento de seus executivos para influenciar sua cadeia de stakeholders (partes interessadas), no que diz respeito às boas práticas ESG.  

Veja os principais trechos da entrevista:

1 – Evolução natural do tema 

“O conceito de sustentabilidade evoluiu muito. Não só ele teve evolução, mas também houve uma evolução por parte das pessoas que tocam esse tema dentro das empresas.” 

“A partir do fim dos anos 90, sustentabilidade virou um tema bacana para empresas que estavam buscando uma certa modernidade. Foi quando surgiu o tripé, as dimensões social, econômica e ambiental. O ESG uniu tudo isso.” 

2 – ESG tem de estar alinhado à estratégia 

“Não há outra possibilidade de se caminhar na sustentabilidade sem entender que esse movimento, essa discussão toda tem de fazer parte da estratégia de negócios da empresa, tem de fazer parte das decisões.” 

“Não é mais uma intersecção, com a busca de equilíbrio entre pontos. Na verdade, agora, todos eles formam o mesmo movimento na empresa.” 

3 – Desenvolvimento de produtos e consumo como focos 

“A geração millennial e a quem vem depois têm a tendência duas vezes maior de comprar produtos sustentáveis do que as gerações anteriores.” 

“Os brasileiros, em sua maioria, já observam características de sustentabilidade nos produtos que compram e evitam aqueles com problemas reputacionais ligados ao contexto ESG.” 

4 – Estímulo do mercado de capitais 

“O mercado de capitais acabou se posicionando e impulsionando, no sentido de que investidores passem a investir em empresas que se demonstrem, de fato, sustentáveis.” 

“O exemplo clássico é a BlackRock, que possui ativos que somam seis vezes o PIB brasileiro e definiu que empresas têm de ter propósito.” 

5 – ESG dentro de casa 

“A Vivo é uma empresa de 33 mil colaboradores, listada em Bolsa. Tem também um tamanho grande do ponto de vista de varejo, mais de 1700 lojas distribuídas pelo Brasil inteiro. O contato com o cliente é muito grande. São 96 milhões de clientes no país.”

“Temos uma boa história para contar. Desde 2019, já somos carbono neutro e parte dos bônus dos executivos já tem lastro nas métricas ESG.” 

“O entendimento é: se nós fizermos o nosso papel nesse campo da sustentabilidade, conseguimos multiplicar essa ação perante todos os clientes.” 

“Estamos passando por uma transição do capitalismo. De um capitalismo de curto prazo para um que contempla todas as partes interessadas.” 

6 – Trabalho de longo prazo 

“O primeiro relatório de sustentabilidade auditado pela metodologia GRI que publicamos é de 2007. Nossa trajetória começou cedo.” 

“Integramos o índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bolsa de São Paulo, há nove anos.” 

7 – Governança, o G do ESG 

“Se a empresa tem estratégia clara e de longo prazo, você separa propaganda, ou algo pontual para lustrar a imagem da empresa, de algo muito bem estruturado, que tem lugar de longo prazo.”   

“Só é possível transformar com o olhar de longo prazo que as metas ESG trazem.” 

8 – Ações simples e efetivas no dia a dia 

“O início do processo precisa ser firme. Como empresa de origem europeia, sempre houve muita preocupação com o meio ambiente.” 

“Uma tarefa importante é saber, com pesquisas, como estamos nas relações em nossas relações de sustentabilidade perante nossos stakeholders. Materializamos esse status.” 

9 – A busca pela diversidade 

“Se nós não engajarmos diretamente nossos colaboradores, dificilmente seremos genuínos para engajar todos os entes da nossa cadeia de valor do lado de fora.” 

“A diversidade é um movimento importante, inclusive para mostrar às pessoas que a empresa onde elas trabalham as acolhe.”

 

Texto: Luciano Feltrin

Foto: reprodução

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