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Microlearning: a nova aposta de um dos pioneiros da internet

Abel Reis, ex-presidente da icônica Agência Click, fundou a Logun Ventures, que tem no portifólio startups como a Grano, voltada à educação baseada em cursos de curtíssima duração

Ele foi presidente da Agência Click, considerada a primeira agência digital no Brasil, em 1999, quando a Internet comercial só tinha dois anos de vida no país. Em 2007, a empresa foi comprada pelo grupo inglês Aegis e, seis anos depois, pela japonesa Dentsu. Abel Reis se manteve à frente do negócio desde o início e, em 2013, se tornou o CEO das operações brasileiras da Dentsu Aegis Network. A experiência em lidar com múltiplos projetos, nacionais e globais, e estratégias digitais foi essencial na definição de seu próximo passo profissional: a fundação da Logun Ventures, que investe em startups em diferentes estágios do ciclo de vida. 

Não por acaso, grande parte do portifólio das empresas investidas pela Logun são da área de comunicação. Porém, o executivo não restringe a atuação a um determinado nicho ou setor. No portifólio estão empresas na área de alimentação saudável, abastecimento de carros elétricos e, mais recentemente, de educação. “Não somos o estilo de investidor que coloca dinheiro e aparece de três em três meses para ver se a empresa bateu a meta. Nós investimos financeiramente e aportamos um repertório de experiências que é extraordinariamente útil para o negócio”, diz Reis. 

A mais nova investida da Logun é a Grano, plataforma mobile que foca no conceito de aprendizado contínuo usando o paradigma do microlearning. O modelo de microleaning parte de cursos de curtissima duração para a construção de trilhas de conteúdo e explora a gamificação, em uma experiência de aprendizado interativa. Empresas como Danone, Red Bull e Volkswagen já desenvolveram projetos na plataforma que, a partir deste ano, também será usada por um grande grupo educacional, cujo nome ainda é mantido em sigilo.

O próximo passo? Segundo Reais, ser o Hotmart de conteúdos granulares e gamificados para qualquer tipo de conteúdo na Internet.  

Confira a seguir os principais destaques da entrevista:

Trajetória em estratégia digital 

“Fui presidente da Agência Click de 2000 a 2007, quando ingressamos no grupo Aegis e viramos Agência Click Isobar”.

“Em 2013, a japonesa Dentsu comprou a Aegis e fiquei como CEO das operações no Brasil, de 2013 a 2019. Foi um momento muito rico, em que tive o privilégio de liderar uma série de movimentos em dados, mídia programática e tecnologia digital no grupo. O Brasil foi ponta de lança em relação à organização global”.

“Em 2019, esse ciclo se encerrou e vi que era o momento de trilhar outro caminho. Foi quando fundei a Logun. Queria levar toda essa experiência de 25 anos de estrada como executivo para atuar com consultoria de transformação digital e iniciar um portifólio de investimentos.”  

Início da Logun em plena pandemia 

“Eu sou daqueles que sempre olha crises pelo lado da oportunidade. Obviamente o lado mais assustador da pandemia foi o sanitário e todas as dificuldades que enfrentamos como país. Por outro lado, rapidamente eu e meus sócios, Carlos Silvares e Fábio Carvalho, decidimos nos desfazer do que ia atrapalhar nossa jornada, começando pelo escritório”.

“Interessante que ainda não conheço algumas pessoas do nosso portifólio pessoalmente. De certa forma, o trabalho remoto e a comunicação por meio das plataformas fez com que o processo não fosse tão doloroso. Além disso, nossos clientes e investidos são educados digitalmente o que tornou a dinâmica mais fácil.” 

Capital próprio 

“Decidimos nos primeiros três anos trabalhar com capital próprio dos sócios, com uma alocação inicial da ordem de US$ 1 milhão. Essa decisão foi tomada antes mesmo da pandemia”.

“A partir de 2023, pretendemos dar um passo adicional e trabalhar oportunidades de captação para acelerar o portifólio existente e alçar novos voos, novas direções. Isso pode ser feito por meio de parcerias com outros fundos de investimento. Podemos organizar modelos de captação junto a pessoas físicas que queiram coinvestir em um determinado projeto. Não temos ainda o modelo definido, vamos descobrir o melhor formato caminhando.” 

Perfil dos empreendedores  

“Não existe um nicho ou área específica de preferência. Boas ideias são boas ideias, independente do segmento de atuação. Mas alguns princípios são importantes”.

“O primeiro deles é a personalidade dos empreendedores. Não queremos pessoas que querem ficar ricas, ou que gostem da aventura de empreender apenas pelo prazer de arriscar’.

‘Buscamos empreendedores que queiram sim construir um valor econômico, mas que tenham uma preocupação com o valor humano e em gerar valor para a sociedade. Por isso, a personalidade, os valores, o quadro de referências éticas dos empreendedores é muito importante”.

“Também queremos empreendedores que não se importem em desenvolver a ideia a muitas mãos. Eu aporto conhecimento com meu expertise em estratégia da comunicação, o Carlos com a visão da operação e o Fábio das finanças”.

Empresas do portifólio 

“A the Media Trade é um marketplace de mídia, dedicado à venda de espaços de mídia on-line e off-line. É nosso ‘iFood’ da mídia. A BrandWall é uma plataforma de mídia que permite o patrocínio por marcas de navegação para usuários de portais de conteúdo e notícias. A Uotz, especializada em experiência do cliente e avaliação de jornadas de consumidores. A NoBeta veicula mídias digitais em formatos padronizados, ou rich media. A última empresa no segmento de comunicação é a Cognitive, que faz a gestão e planejamento de mídia usando estatística e inteligência artificial. Além destas temos a Tupinambá Energia, a primeira rede brasileira de abastecimento de carros elétricos; a Zaga Bowls, fast food saudável; e a Grano, no segmento de educação.” 

Conceito de microlearning 

“A dinâmica do aprendizado para as novas gerações de estudantes e profissionais é muito distinta do que era há 30 anos. O ritmo, a densidade e a disponibilidade dos conteúdos alterou de forma substancial”.

“O mobile se consolidou como o meio de comunicação e de negócios no mundo, devemos oferecer o conteúdo com a granularidade adequada a uma necessidade específica do usuário em um dado momento”.

“É aí que entra o Grano, com o conceito de microlearning, oferecendo conteúdo fragmentado gamificado, o que estimula e provoca o interesse de consumo”.

“Outra característica importante é a linguagem de navegação e identidade visual, estamos nos aproximando do formato do TikTok e do Instagram, que representam a estética de consumo das novas gerações.”

Educação corporativa 

“O modelo clássico de formação executiva, seis horas dentro de uma sala de aula presencial, com intervalos de quinze minutos, dificilmente se sustentará. É preciso pensar em novos modelos para essa dinâmica do aprendizado contínuo”.

“A nossa plataforma permite a criação de conteúdos de diferentes naturezas, para diferentes públicos, seja para ensinar História do Brasil para um menino no ensino médio, seja para ensinar técnicas de apresentação para um executivo em uma empresa”.

“Clientes como Danone, Red Bull e Volkswagen desenvolveram projetos conosco e o próximo passo já foi dado: um grande grupo educacional vai usar nossa plataforma a partir do início de 2022 para construir seus conteúdos de aprendizagem na Grano.” 

Um novo Hotmart educacional 

“Já estamos pensando no próximo passo, que é pensar a Grano como uma plataforma de distribuição de conteúdo para a formação profissional, educação e também de interesse geral, para qualquer pessoa na Internet. Uma plataforma B2C que oferece conteúdos variados para qualquer criador de conteúdo que queira oferecer seu material nesse formato diferenciado”.

“O conceito é similar ao do Hotmart, que privilegia, no entanto, conteúdos de longa duração, aulas com 45 minutos de vídeo. Nossa plataforma terá conteúdos em outra granularidade e em formato gamificado.” 

Texto: Monica Miglio Pedrosa

Foto: divulgação

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