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Inovação e CX dominam agenda de investimentos em 2022

Em um cenário marcado por incertezas econômicas, a aposta do mercado para crescer está na inovação, com foco na experiência do consumidor e modelos digitais de negócios.

Planejar 2022 tem sido um desafio enorme para as empresas no Brasil. Cenário inflacionário em ascensão dentro e fora do país, retração no PIB, calendário eleitoral e turbulências na recomposição da cadeia global de supply chain estão impactando na tomada de decisão dos gestores. Uma certeza é a aposta na inovação como caminho inevitável para surfar esse momento de instabilidade

Investir em novos modelos de negócios e soluções digitais para melhorar a experiência do cliente é um ponto em comum para a maioria dos CEOs ouvidos pela [EXP] durante o Jantar do Ano realizado pelo Experience Club no dia 13 de dezembro, no Tom Brasil, em São Paulo. A tônica da noite, protagonizada pelo debate entre Luiza Helena Trajano (Magalu), Nizan Guanaes (N.Ideas), Konrad Dantas (Kondzilla) e moderação de Daniel Castanho (Ânima Educação), foi justamente traçar cenários e soluções para o futuro do país

Lideranças de diferentes setores falaram à reportagem sobre sua percepção em relação ao próximo ano. Para Rodrigo Abreu, CEO da Oi, o investimento em inovação é um caminho sem volta. Apesar da alta da Selic a 9,25%, o executivo acredita que os investimentos no ecossistema de startups continuarão com força, já que “o potencial de geração de valor é gigantesco, muito maior do que qualquer alta da Selic”. 

“Para a Oi é um ano de transformação muito grande. De um lado, a implementação do 5G. De outro, a implementação de um modelo que nós estamos trazendo para o setor inteiro, que é o de separação estrutural, que vai fazer com que várias empresas possam ter acesso a uma infraestrutura que não tinham antes. Nós estamos nos reinventando e criando uma empresa completamente diferente.” 

Rodrigo Abreu, CEO da Oi

Paulo Alencastro, cofundador da startup e vice-presidente de relações com investidores da Unico, unicórnio brasileiro de soluções de proteção de identidade digital, faz uma leitura bem semelhante à de Abreu.  Ele diz que há sim uma pequena retração dos investimentos em inovação como efeito mais imediato da alta da Selic, mas acredita que para bons ativos sempre terá mercado e investidor.  

“Para quem tem bons projetos e está conseguindo mostrar bons indicadores de negócio, com certeza vai ter capital disponível para conquistar em 2022. Estamos muito otimistas com o crescimento e o desenvolvimento, e acreditando que as empresas vão cada vez mais procurar a questão da digitalização, de se tornarem mais eficientes e mais simples para o consumidor.”

Liquidez permanece

Maitê Lourenço, CEO da Black Rocks Startups, iniciativa que busca trazer empreendedores negros para o ecossistema de startups de tecnologia, também é otimista em relação ao potencial de investimento em inovação, mesmo com todos os desafios e instabilidade econômica. Há muito recurso disponível, mas ela faz um alerta sobre a distribuição desses investimentos. 

“Pensando na perspectiva racial, a gente fez um levantamento em que 25% das startups são lideradas por pessoas negras – mas esse mesmo número não reflete no que é investido. Eu acredito que o desenvolvimento econômico vai, com certeza, perpassar por iniciativas que vão oferecer oportunidades para esses empreendedores e empreendedoras”.

Maitê Lourenço, CEO da Black Rocks Startups

Há muito capital disponível no mercado e as empresas sentem a necessidade de acelerar processos de inovação, mas a perspectiva de juros mais altos reduz o apetite por risco. Por isso, direcionar recursos para investimento parte de uma visão estratégica muito clara, em primeiro lugar.

“A taxa de juros alta sempre muda o custo de oportunidade. Se você não tiver um excelente plano de negócio para mostrar que o retorno sobre aquele investimento vai ser melhor do que investir em menos risco, vai ser mais desafiador conseguir vender alguns modelos de negócio”, analisa Leandro Martinez, CEO da Chubb Brasil.

Se a alta dos juros, a inflação alta e o custo da matéria-prima cada vez mais alto não são favoráveis para o varejo, as empresas que vão se destacar serão aquelas que investirem em tecnologia, com foco na experiência do cliente e na personalização. “Aqueles que estiverem preparados para fazer venda online, entregar no menor espaço de tempo e com o menor custo, vão surfar nessa onda de transformação tecnológica”, diz Valdemir Marques, da Totvs. 

Para o setor de tecnologia o momento é favorável especialmente se considerarmos as empresas que estão apostando e investindo alto em suas plataformas digitais. Esta é a avaliação de Tonny Martins, General Manager da IBM para a América Latina. “As companhias que souberem usar as tecnologias exponenciais, a inteligência artificial, para se aproximar de seu consumidor final, buscando individualizar produtos e serviços, certamente terão resultados positivos com redução de custos, aumento da produtividade e crescimento”. 

Na Havaianas, por exemplo, o foco agora é no omnichannel. “A omnicanalidade, para a Havaianas, é a integração entre as 550 lojas físicas com toda a plataforma digital. Você pode comprar pelo WhatsApp e receber em casa ou retirar na loja. Assim, a vitrine é infinita. Não precisa ter estoque na loja”, explica Ana Bogus, VP da Havaianas Brasil

Em uma direção similar, tendo a experiência como grande farol, segue a Gympass. “Queremos entregar cada vez mais soluções em bem-estar. Inovação precisa estar ligada à personalização da experiência do cliente”, diz Priscila Siqueira, CEO da empresa no Brasil. Ela conta que a ideia para o futuro da companhia é que as pessoas possam usar os benefícios da plataforma e pagar de acordo com o uso e frequência. Do lado das empresas, ela destaca que a procura aumentou muito em razão da pandemia. 

“A gente precisa cuidar das pessoas. Tanto da saúde física quanto da saúde mental. Nós temos ajudado as empresas a justificar essa importância. Isso também é sustentabilidade e é por aí que nós temos trabalhado.”

Priscila Siqueira, CEO da empresa no Brasil

Texto: Luana Dalmolin e Arnaldo Comin

Reportagem: Pedro Braga, Luana Dalmolin e Dubes Sônego

Fotos: divulgação

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