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Ambify aposta na parceria entre finanças regenerativas e o avanço da tokenização

Por Luciano Feltrin

A ampla adesão do segmento corporativo às pautas ESG, em especial empresas de grande porte e capital aberto, trouxe à tona uma série de oportunidades para companhias que oferecem produtos e serviços capazes de apoiar e implementar as melhores práticas Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa.

Esse é o caso da Ambipar, multinacional de origem brasileira fundada em 1995, que abriu capital em 2020 e está presente hoje em 39 países. A empresa atua em duas grandes verticais de negócio: Response, com oferta de soluções para prevenção de acidentes ambientais e respostas a emergências; e Environment, onde atua com produtos e serviços de gestão de resíduos e créditos de carbono.

Esta última vertical tem se tornado uma grande aposta do grupo, particularmente em um momento em que a emergência climática está deixando de ser um tema restrito a ambientalistas e círculos acadêmicos e passa a ser assunto cotidiano de empresários e investidores, com princípios da Economia Circular e da Economia Regenerativa ganhando espaço.

Foi a partir da constatação de que há uma gigantesca avenida para crescer nesse filão que nasceu, em dezembro do ano passado, a Ambify. Uma das empresas da vertical Environment, a Ambify ganhou forma inicialmente em um aplicativo.

Pegada de carbono pessoal

Nele, o usuário pode calcular sua pegada de carbono, ou seja, o total de emissões de gases de efeito estufa que ele emite em seus hábitos diários. O aplicativo também permite compensar essa emissão de maneira bastante simples. O objetivo é proporcionar que pessoas físicas tenham acesso às operações e, assim, se sintam estimuladas a colaborar ativamente com boas práticas para o planeta.

Para facilitar, a plataforma oferece o crédito de carbono fragmentado por quilo, o que, na prática, significa gastar apenas uns poucos centavos para compensar o carbono emitido durante uma refeição, por exemplo. Uma tonelada de dióxido de carbono equivale a um crédito.

A operação é realizada por meio de um token e liquidada com a utilização da tecnologia blockchain, o que traz segurança e transparência ao negócio, além de registrar de forma pública o crédito de carbono utilizado, impedindo que um mesmo crédito possa ser vendido novamente.

A grande novidade do app da Ambify é que ele dá conta de toda a operação, amarrando suas diversas pontas. Dessa forma, o usuário da plataforma começa calculando sua pegada de carbono, realiza o pagamento do valor equivalente à emissão e, na sequência, o negócio é certificado pela Verra, que valida mais de 70% do mercado voluntário global de créditos de carbono. Tudo isso só é possível porque, pela natureza de suas atividades, a Ambipar é considerada uma geradora genuína de créditos de carbono. 

Para ter sentido do ponto de vista dos vários aspectos contemplados pelas práticas ESG, a cada transação, 5% do valor é destinado a instituições parceiras da Ambify, como a ONG Médicos sem Fronteiras. Esse percentual sai direto do caixa da companhia, não do bolso do cliente.

Desde agosto, o token da Ambipar – que já era negociado nas plataformas BitPreço, BitcoinToYou e Bitrecife -, está também disponível para clientes da corretora de criptomoedas Foxbit. A Ambify não revela números ou dados relativos ao aplicativo nem ao volume de negociações já realizadas no mercado.

Um embrião ambicioso

Embora até agora ofereça apenas a funcionalidade relativa à compensação de créditos de carbono, a Ambify tem muitas ambições para o produto a médio prazo. O objetivo é que esse embrião se desenvolva e ofereça, num futuro próximo, produtos e serviços para abastecer o mercado com soluções que unam dois movimentos em franca expansão no país: a tokenização e o mercado voluntário de crédito de carbono.

“Há um mundo a ser desbravado. O céu é o limite quando se fala de tecnologias verdes disruptivas”, diz João Valente, Diretor de Ativos Digitais da Ambipar, que esteve à frente do time multidisciplinar que idealizou e tirou do papel a Ambify, com especialistas de áreas tão distintas como blockchain, mercado de carbono, desenvolvedores, programadores e designers.

Já presente em parte das transações financeiras e de pagamento realizadas no Brasil, a tokenização nada mais é do que um processo de substituição de dados reais por outros protegidos por criptografia.

Nesse sentido, o executivo explica que, no momento, soluções para finanças regenerativas, com a utilização de ferramentas como NFTs e Metaverso, são as grandes frentes a serem trabalhadas.  

“Temos no nosso radar alguns protótipos de blockchains verdes sendo testados. São projetos que trarão algo novo para o mundo e a sociedade, até pela emergência que o tema desperta”, comenta.

A Ambify acredita que dois fatores podem representar diferenciais competitivos frente à concorrência. O primeiro deles é o pioneirismo da empresa no desenvolvimento dessas soluções.

Outra vantagem é o perfil da Ambipar, sua controladora. A companhia se tornou uma das maiores compradoras de empresas entre as listadas na Bolsa brasileira, a B3. Desde que abriu o capital, em julho de 2020, quando levantou pouco mais de R$ 1 bilhão, já participou de mais de 40 fusões e aquisições. Com isso, espera que as sinergias capturadas nessas operações possam gerar mais eficiência, possibilitando que novos produtos e serviços sejam ofertados aos clientes antes de seus concorrentes.

O promissor mercado de crédito de carbono

Se há um gigantesco caminho a ser trilhado no que se refere às finanças corporativas, com muitas oportunidades em ativos com potencial de tokenização, o mesmo acontece com o mercado voluntário de créditos de carbono.

Um estudo recente da consultoria McKinsey aponta que o Brasil pode ser protagonista nessa frente, ficando com cerca de 15% do segmento no mundo. Parcela equivalente a cerca de R$ 10 bilhões ao longo de uma década.

Há várias maneiras de ganhar dinheiro com créditos de carbono. Uma delas é protegendo ou reflorestando áreas verdes. Evitar a emissão de gases que causam efeito estufa é outra forma. 

O maior estímulo ao desenvolvimento do mercado de carbono, no Brasil e no mundo, é o cumprimento da meta global, estabelecida pelo Acordo de Paris, em 2015, segundo a qual a temperatura do planeta deve aumentar, no máximo, 1,5 graus Celsius até 2050 em relação à era pré-industrial.

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