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Venture capital: startups da Flórida captam mais de US$ 1 bilhão em 2021

O volume equivale apenas às rodadas “early stage” e é quatro vezes o total captado em 2020. Prefeitura, empresas e universidades também se engajam em novos projetos

Depois de atrair empresas de outras regiões do país, como o “unicórnio” Pipe (fundado em Los Angeles), e desenvolver suas próprias startups bilionárias, como a Kaseya, o aquecido mercado tech da Flórida ganha destaque pelo crescimento do volume de capital de risco para investimento em novos negócios.

Segundo a plataforma Crunchbase, o Sunshine State tem um dos melhores desempenhos no financiamento de startups em fase inicial, ao lado de Nova York, Ohio e Michigan. O volume dos aportes também aumentou – em 2020 a média era de US$ 18 milhões, neste ano chega a US$ 28 milhões.

Se o mercado está aquecido em todo o país – nos últimos dois trimestres, o total de recursos para seed capital mais do que dobrou nos Estados Unidos – a Flórida tem superado o crescimento médio nacional. De janeiro a outubro de 2021, as empresas de tecnologia da região receberam US$ 1,3 bilhão em rodadas early stage, o que representa quatro vezes o volume de recursos recebidos no ano passado (US$ 277 milhões).

O número de investimentos também cresceu: a média dos últimos anos era de 40, em 2021 já são 56. Mas o volume pode ser ainda maior, já que muitos deals levam semanas ou meses para entrar nos bancos de dados.

Entre as startups que atraíram a atenção dos fundos de capital está a PayCargo, startup com sede em Coral Gables e que desenvolveu uma plataforma de pagamentos de frete utilizado por 67 mil usuários, entre eles transportadoras aéreas e marítimas, portos e despachantes aduaneiros. Com crescimento de 250% no último ano, a empresa captou um round de US$ 125 milhões com a Insight Partners.

Outra startup que trilha o caminho dos unicórnios é a Recur, com sede em Miami, e que  que atua no mercado esportivo de NFT, comprando e revendendo produtos digitais colecionáveis. Em setembro, a empresa recebeu um aporte de US$ 50 milhões de investidores do mercado de arte (como Benjamin Milstein) e do family office de Steve Cohen, proprietário do New York Mets e que agora faz parte do conselho de administração da startup.

Este é o segundo recurso recebido pela Recur neste ano – o anterior foi uma rodada mais modesta, de US$ 5 milhões – que passa a ter um valor de mercado superior a US$ 330 milhões. “Estamos construindo um futuro em que as NFTs podem ser levadas para qualquer lugar”, afirmaram os empreendedores em comunicado após o investimento.

“O fluxo de negócios aumentou drasticamente em Miami”, diz Elle Leemay Chen, diretora administrativa do grupo de investidores Miami Angels. Segundo ela, o processo de avaliação das empresas (due dilligence) teve que ser acelerado para dar conta da demanda.

A prefeitura de Miami também entrou no jogo criando o programa Venture Miami Startup Mornings, no qual empreendedores de tecnologia são selecionados para uma conversa e um café da manhã, com presença da responsável pelo setor de venture capital da prefeitura, Melissa Krinzman, e a representante local do Softbank, Ana Paula Gonzalez.

Outra novidade é o Venture Miami Opportunity Program, parceria entre a Florida International University, prefeitura e JPMorgan Chase para apoiar 20 mulheres empreendedoras com treinamento intensivo em tecnologia, gestão de pessoas e acesso a capital. Segundo o prefeito de Miami, Francis Suarez, “nossa visão de criar um centro tecnológico continua a ganhar luz devido a parcerias como estas, à medida que desenvolvemos o futuro do Venture Miami”.

Mas outras cidades também notam essa expansão do mercado tech, como Tampa, Orlando e Jacksonville. De lá saíram startups como a CrossBorder Solutions, desenvolvedora de software tributário que utiliza inteligência artificial, e a Aspen RXHealth, um aplicativo que conecta pacientes e farmacêuticos.

“É uma tempestade perfeita de indicadores positivos que nos dão um bom presságio para o futuro. Antes, os investidores early stage tinham portfólio ocasional em empresas da região mas agora eles entendem que é preciso conhecer toda a Flórida”, resume Kevin Burgoyne, CEO do Florida Venture Forum.

E assim novos unicórnios devem surgir na paisagem do Sunshine State nos próximos anos.

Texto: Fabricio Umpierres

Foto:  Ryan Parker/Unsplash

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