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Recalcular rotas é a chave para a carreira do futuro (e do presente)

Por Ricardo Basaglia*

É preciso estar aberto a novos aprendizados e visões de mundo

Até pouco tempo atrás a carreira de uma pessoa era determinada a partir de sua vocação profissional. A escola, faculdade e uma pós-graduação eram o melhor alicerce para uma trajetória mais estável no mundo do trabalho. O mesmo valia para a vida pessoal: casamento, filhos, passeios. O que você precisa saber é que esse modelo sistematizado não existe mais. Tanto na vida profissional ou pessoal precisaremos aprender a lidar com um mundo possível de escolhas e isso nem sempre será fácil.

Quando o assunto é planejamento de carreira, há duas coisas que não mudam. A primeira delas é nos conhecermos e saber onde estamos. Faça uma reflexão de sua trajetória, sobre seu atual momento. No que eu sou bom? No que eu posso melhorar? O que me motiva? A segunda questão é saber onde queremos chegar. A partir daí, conseguimos medir a distância do nosso objetivo e traçar o melhor caminho. 

Vale ressaltar que esse objetivo está muito mais ligado aos propósitos que nos movem do que um bom salário e os benefícios de um cargo de liderança. A remuneração é fundamental, mas temos uma grande quantidade de escolhas a serem feitas. Estima-se que uma pessoa hoje, diferente do nosso exemplo inicial, vá trocar de carreira até seis vezes na sua vida. 

Eu mesmo, com minha formação inicial em tecnologia, tímido e sonhando em trabalhar em um data center, jamais poderia imaginar que chegaria a uma trajetória no mundo corporativo com 10 mil entrevistas, cafés e reuniões e muitas histórias.

Parecia algo impensável se eu dissesse àquele profissional de vinte e poucos anos que isso aconteceria, mas podemos entender isso a partir dos aplicativos que usamos na rotina. Vamos olhar dois aspectos: o primeiro é aquela função dos GPS modernos, que conseguem recalcular as rotas. 

Com as infinitas possibilidades de escolha, precisamos estar preparados para mudanças ao longo da nossa carreira. Conhecer a si próprio é fundamental para escolher bem as mudanças. O segundo aspecto é a atualização constante. Aplicativo ou profissional, ambos precisam se manter atualizados para continuarem relevantes. Seja apresentando novidades ou corrigindo erros — ‘bugs’. 

Vamos pensar naquele chefe do passado, que adaptava todas as pessoas ao seu estilo e era obedecido sem questionamentos. Não há mais espaço para essa visão única de mundo ou esse estilo de hierarquia sem questionamento. Hoje o mercado de trabalho é um organismo vivo que se adapta constantemente às mudanças da sociedade. 

O líder de hoje, então, precisa se adaptar e corrigir seus bugs para engajar seu time e conseguir entregar os resultados. A cobrança e as metas continuam. O que mudou foi a forma de conectá-las a cada indivíduo da empresa, com sua história e visão de mundo. A liderança hoje precisa inspirar as pessoas, desenvolvê-las, dar feedbacks e valorizar o lado humano da gestão. Pessoas mais felizes entregam resultados melhores. Esse é o papel do líder de hoje.

No entanto, como avaliar as pessoas, criar relações de confiança e ajudar no desenvolvimento de cada um? Em 15 anos de carreira, vi as empresas e lideranças sempre partindo do zero, trocando o pneu com o carro em movimento.

Escrever um livro, para mim, foi dividir um pouco dessa experiência e, sem a pretensão de esgotar a conversa, uma oportunidade de fazer essa discussão começar mais qualificada. E ajudar as pessoas a identificarem o seu Lugar de Potência. Essa ideia, que dá nome ao livro, é uma combinação do melhor que temos para entregar com aquilo que o mundo demanda. 

Para chegar a esse patamar, volto a dizer, não há um mapa do tesouro. Mas algumas coisas já estão claras: precisamos de autoconhecimento para entender nossos propósitos (aquela primeira etapa do planejamento). Um segundo aspecto é a atitude. Em vez de procurar uma empresa estruturada, sem grandes desafios e sem espaço para inovar, que tal ir atrás do problema?

Seja a pessoa que vai inovar, que vai ajudar no desenvolvimento de um processo, produto ou serviço para revolucionar aquele espaço. A adaptação, por sua vez, é a chave para entender os novos contextos do mercado, rever nossos conceitos e habilidades.

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