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Exclusão profissional, o “lado B” da exclusividade

Uma das palavras mais emblemáticas no mundo contemporâneo é “exclusivo”, o oposto da ideia de inclusão pressuposta pela lógica da diversidade. Então, por que não substituí-la pelo conceito do “extraordinário”? 

Por Gustavo Glasser

Viver no mundo contemporâneo passa pela demanda de desenvolvermos uma linguagem peculiar que traduz, em grande medida, valores defendidos e exaltados no presente. Uma das palavras mais emblemáticas deste contexto, na minha opinião, é “exclusivo”. O conceito que define o verbete carrega a ideia de algo excelente e especial – mas, para poucos. Ter acesso a algo exclusivo é ter um privilégio desfrutado por um grupo seleto. Na essência e no marketing, por exemplo, é estar diante da oportunidade de vivenciar uma experiência excludente, na qual a escassez da diversidade é valorizada. Para poucos e bons. Aliás, essa frase diz muito.

A busca por ser exclusivo tem pautado um modo de vida que, além de danoso, reforça um mindset social. No cerne deste comportamento, temos um sistema moldado para perpetuar a exclusão nas empresas e, sobretudo, na sociedade. Sem percebermos, o exclusivo traça uma linha invisível entre quem entra e quem fica de fora, à margem. A complexidade disso tudo é que narrativas foram criadas exaltando essa premissa do quão bom é ser exclusivo. O lado B, entretanto, é problemático, porque tem por base empresas que tornaram o conceito tangível ao construir ambientes corporativos ancorados nessa mentalidade excludente. Ou seja, são contratados os profissionais iguais à nossa elite que acessa, entende e desfruta do exclusivo com maestria!

Na contramão da exclusividade, a Carambola defende a inclusão de fato e tem auxiliado as empresas que querem se responsabilizar pela construção de uma outra narrativa, na qual a abundância substitui a escassez. A proposta é trocar o exclusivo pelo inclusivo; incorporar uma nova mentalidade e um sistema para permitir a entrada (e permanência) da diversidade nos ambientes corporativos. Essa é a nossa Teoria de Mudança e, nela, a palavra de ordem é extraordinário.

Para que as empresas saiam do lugar comum da exclusividade, é necessário que se tornem extraordinárias. Na prática, a inclusão permite às companhias formarem times para além do ordinário, à medida que trazem para dentro do ambiente corporativo e do negócio diferentes visões, culturas, repertórios e talentos. A construção desse contexto tem a ver com a derrubada de processos seletivos convencionais – que criam inúmeras barreiras para eliminar qualquer chance de a diversidade entrar. No artigo anterior, abordei a inflexibilidade dos sistemas automatizados de recrutamento, que são desenhados para encontrar e selecionar os candidatos “perfeitos”, reforçando uma lógica que deixa de fora inúmeros talentos “invisíveis” para as ferramentas. Ou seja, precisamos repensar a forma de contratar!

A equipe da Carambola se inspira muito na Dinâmica da Espiral, codificada pelo professor Don Edward Beck a partir de estudos conduzidos ao longo de cinco décadas pelo psicólogo norte-americano Clare W. Graves. Esse conceito aborda a evolução da consciência na humanidade; defende que o ser humano e as sociedades vão evoluindo dentro de uma espiral de valores. Quando resolvemos os problemas de determinada camada, despertamos a própria consciência para uma nova capa de problemas. Essa transição se aplica justamente neste momento, no qual estamos evoluindo e emergindo para uma nova consciência global.

Não temos como solucionar os desafios que aparecem hoje com as mesmas ferramentas de ontem. De acordo com o diferente contexto sociocultural que temos, há uma dificuldade enorme para enxergar os desafios dos habitantes de outras realidades. Trazer esse conhecimento para a gestão, reforçar a diversidade como um valor extraordinário dentro da empresa é aproximar mundos e construir futuros novos. Mas, para isso, deve haver preparo – para quem contrata e é contratado – voltado à elaboração de novos repertórios, glossários, verbetes.

 

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